I Bienal Internacional de Teatro do Ceará chega a Fortaleza com espetáculos e ações formativas

Espetáculo
Espetáculo "Clitemnestra - Uma Canção de Amor" TIM OLIVEIRA/ DIVULGAÇÃO
Após passar por Sobral e Juazeiro do Norte, a segunda etapa da I Bienal Internacional de Teatro do Ceará (BITCe) chega à Capital para uma programação que acontece, de hoje a quarta-feira, 5, nas dependências do Theatro José de Alencar e Teatro da Boca Rica. 
Teatro, Mito e Feminino: Conexões é o tema que interliga os espetáculos - solos, em sua maioria - e as ações formativas, que ganharam corpo a partir das inquietações de Rejane Reinaldo, pesquisadora, feminista e diretora do Ponto de Cultura Escola Livre Teatro da Boca Rica, à época de seu Doutorado, cuja tese foi defendida durante permanência no Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
"Havia uma ideia antiga de fazer uma bienal de teatro. Porque já existe uma do livro, existe bienal da dança, então achei que o teatro também merecia uma bienal. Fiquei pensando uma forma de realizar até que, de 2011 a 2015, fiquei trabalhando na Bahia e comecei a discutir essas pesquisas. Daí surgiu a ideia com o teatro, o mito e o feminino. Essas grandes forças da dramaturgia que vêm atravessando a humanidade. Em 2017, a gente começou a realizar esse desejo. Só que na primeira etapa fizemos com seminários e espetáculos da Bahia, Amazonas e outras regiões brasileiras", afirmou Rejane, que nesta edição traz montagens internacionais em diálogo com as locais.
A programação abre logo mais, às 18 horas, nos jardins do Theatro José de Alencar, com uma homenagem à mulher fortalezense. Na sequência, às 19h30min, já no palco principal, haverá a apresentação de Pentesileia, Treinamento para a Batalha Final. Com texto da italiana Lina Prosa e direção de Maria Thaís (SP), a montagem conta com Maria Esmeralda Forte (RJ) e Antônio Salvador (SP). Às 20h30min, de volta aos jardins, a vez da Etnocena com a quadrilha junina Fulô do Campo, de Sobral, e seu tema Mulher, hoje é dia de luto, hoje é dia de luta, hoje é dia.
Nesta segunda etapa, a I BITCe conta com a presença de montagens do Ceará, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, além da Itália, Argentina e Venezuela. Em comum, o foco nas mulheres e personagens da dramaturgia e mitologia universais. "Não foi coincidência esse tema para a bienal. No Ceará, existem várias atrizes trabalhando com essa temática. Trouxemos da Argentina esse olhar feminino sobre a literatura através da Veronica Velez. Importante também que a gente vá para cidades fora de Fortaleza. Então não é só ir a Sobral ou Juazeiro do Norte, mas também trazer os espetáculos de lá para cá, como o espetáculo Beata Maria de Araújo", ressaltou Rejane.
O evento, de acordo com a idealizadora, foi pensado e desejado de forma intensa. "Até a forma de curadoria foi intencional, num diálogo com mulheres da Itália, França, Minas Gerais, etc. A gente está sempre se conectando e os espetáculos são todos de criadoras-pesquisadoras, que era outra coisa que a gente queria reunir, esse processo criativo com o pedagógico. Queríamos fazer um festival além. De 48 festivais que já agitam a cena, a gente queria trazer algo novo. E esse tema não é restritivo. Quando você pensa essa conexão universal, o torna muito mais amplo", afirmou.
Para amanhã, 4, dois espetáculos estão programados, respectivamente, no Teatro Morro do Ouro e Sala Nadir Papi Saboya (ambos anexo do TJA). Na quarta-feira, 5, a programação encerra destacando Medeia Material, com Diana Peñalver (Teatro Bacante, de Caracas/VEN); e a montagem baiana Ofélia, 7 Saltos Para se Afogar, com Raiça Bomfim (Gameleira Artes Integradas). Para além dos espetáculos, o I BITCe irá realizar o seminário Teatro, Mito e Feminino: Conexões com as presenças de Thiago Arraes, do IFCE (via internet), Humberto Cunha, apresentando o tema Justiça: Substantivo Feminino - Lições da Trilogia Tebana; e Rejane Reinaldo, trazendo ao público sua tese Pentesileia, A Rainha das Amazonas.
"Estamos trabalhando numa perspectiva de Etnocena porque, por exemplo, se você olhar uma baiana vendendo acarajé, ela não está só vendendo aquele acarajé, mas fazendo uma cena. Assim como são as carpideiras porque elas estão cantando, então aquilo também é cênico. Quando a Izabel Gurgel fala sobre Frida Kahlo, etc., tudo isso é Etnocena porque tem uma estética própria", explicou Rejane. "Essa é nossa primeira Bienal, então espero que as pessoas aproveitem esse encontro, esse intercâmbio entre tantos talentos. É um momento em que o teatro vai para além dos palcos convencionais". O IBITCe é patrocinado pelo MinC e Governo Federal, Atacadão e BNB.
Serviço
I Bienal Internacional de Teatro do Ceará (BITCe) - Parte II
Quando: abertura hoje, 3,
às 18 horas, seguindo até quarta-feira, 5
Onde: Theatro José de
Alencar (rua Liberato
Barroso, 525 - Centro)
Programação gratuita
Acesso por ordem de chegada.
Inscrições para as ações formativas: bienaldeteatrodoceara@gmail.com
Classificação: 18 anos
O Povo

Comentários

Mais Visitadas

O Irmão Carlos de Foucauld

Há 50 anos, primeira mulher negra era eleita ao Congresso nos EUA

Memorial do Holocausto lembra 80 anos da Noite dos Cristais em SP

MASP completa 50 anos de histórias

Escreve Pe. Jocy - Dom Delgado