Autor escreve 1º livro com mulher protagonista

Por Rodrigo Garcia Lopes - Folhapress
Autor de clássicos como "Sobre meninos e lobos" e "Gone, Baby, Gone", Dennis Lehane escreve o primeiro livro em que a protagonista é uma mulher
O começo do mais recente romance de Dennis Lehane é promissor: "Numa terça-feira de maio, no trigésimo quinto ano da sua vida, Rachel matou o marido com um tiro. Ele cambaleou para trás com uma estranha expressão de confirmação no rosto, como se alguma parte dele sempre tivesse desconfiado que iria morrer pelas mãos de sua mulher".
"Depois da Queda" é um "noir doméstico" pretensamente hitchcockiano. É o primeiro livro do autor em que a protagonista é uma mulher.
Estragada psicologicamente pela mãe, uma escritora de autoajuda, a jornalista Rachel Childs passa a vida procurando a identidade do seu pai biológico. Com a recusa da mãe em revelar a verdade e com sua morte súbita, cabe à Rachel buscar seu paradeiro. Contrata os serviços de um tal Brian Delacroix, que a ajuda na investigação por um tempo. Quando ela descobre a identidade do pai é um anticlímax total. A motivação para tanto segredo parece pouco convincente.
Ascensão
Na segunda parte, acompanhamos a ascensão meteórica de Rachel, agora repórter de TV e casada com o produtor Sebastian, até ter um colapso ao vivo, em rede nacional, enquanto cobria um terremoto no Haiti.
As imagens viralizam. Desmoralizada, encerra a carreira e torna-se uma reclusa, sendo acometida por frequentes e terríveis ataques de pânico. Numa de suas raras saídas, cruza ao acaso com Brian. Apaixonam-se e se casam. Um dia ela vê algo na rua que a leva a suspeitar que marido está mentindo. É só aí que o thriller realmente começa.
Lehane levou as primeiras 106 páginas para nos convencer da fragilidade extrema e da personalidade problemática da protagonista, com seus ataques de pânico e incapacidade de agir.
Agora, ela é capaz de dirigir carros de noite numa floresta no Maine, andar de elevador e táxi, atirar, enganar policiais e escapar de gângsteres.
Há pelo menos um episódio que absolutamente não convence e põe tudo a perder. O final é pouco crível. E fica aberto para uma possível sequência, o que não seria uma boa ideia. A condução narrativa é burocrática, com direito a diálogos chatos e clichês espantosos, que parecem fruto da pressa do autor em terminar o livro (de fato, Lehane vendeu os direitos para o estúdio DreamWorks antes mesmo de terminá-lo).
"Depois da Queda" está longe da atmosfera envolvente e do brilhantismo narrativo de "Sobre Meninos e Lobos", "Gone, Baby, Gone", e "Ilha do Medo". Mais um ótimo escritor de policiais a ser engolido por Hollywood?

livro
Diário do Nordeste

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