Evento discute Justiça em Quadrinhos na Unifor nesta terça, 2

Por Antonio Laudenir - Repórter
Image-0-Artigo-2459414-1
O milionário Bruce Wayne veste um uniforme de morcego e passas as madrugadas distribuindo pancadas em figuras suspeitas. Matthew "Matt" Michael Murdock, o Demolidor, é um advogado cuja deficiência visual eclipsa suas ações como vigilante de uma comunidade pobre de Nova York. Na fictícia megalópole Mega City One, o Juiz Dredd é o braço forte da lei e tem autorização para agir como polícia, juiz, júri e executor.
Criados em épocas e por autores distintos, cada um destes personagens guarda dentro de si a necessidade de fazer justiça a todo custo. Atuando muitas vezes nas sombras, estes ditos super-heróis se valem do discurso da falência das instituições para imprimir uma lógica pessoal de ordem. Realizado pelo curso de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor), o "I Colóquio Justiça em Quadrinhos" busca discutir as fronteiras éticas em torno das motivações destes seres da ficção.
Organizado desde ontem (1), no auditório A4 da instituição, o público pode participar hoje, a partir das 8h, do último dia de palestras, mesas redondas e conferências. Gratuita, a atividade é voltada a estudantes, professores, pesquisadores e demais interessados na área de comunicação, semiótica, história, antropologia, sociologia, política, filosofia, direito e psicologia. Segundo o criador da iniciativa, o professor de Direito Daniel Camurça, o objetivo do evento é divulgar os resultados parciais e finais das pesquisas realizadas pelos Grupos de Pesquisa em Filosofia do Direito e Justiça em Quadrinhos, do Curso de Direito da Unifor.
"Os quadrinhos são importantes ferramentas de aprendizagem. Por meio do ensino prático, estudantes e pesquisadores podem aprender importantes conceitos, tais como ética, cidadania e justiça, para compreender e analisar as formas pelas quais as mídias edificam a ação jurídica diariamente. Da mesma forma, aprendem a pesquisar por meio de fontes ainda pouco exploradas na academia", argumenta o docente.
Se no primeiro dia foram discutidos assuntos como "Identidade constitucional e a relação entre direito e moral", "Quadrinhos e política" e "Vara da infância e juventude em Fortaleza: realidades e perspectivas", o segundo dia de encontro promete um mergulho na perspectiva dos gibis como objeto de pesquisa acadêmica. Considerada erroneamente uma arte voltada para o público infantil, a nona arte encontra no Colóquio da Unifor um espaço que contribui para se reconhecimento como elemento de vanguarda nos estudos acadêmicos.
Partindo desse pressuposto, Camurça elenca uma série de exemplos em que o ensino superior e os quadrinhos possuem uma relação profunda quanto ao estudo da linguagem e da influência deste produto de massa na seara da pesquisa.
Por integrar imagem e texto de forma atraente e objetiva, a linguagem das HQs tem sido utilizada com frequência por pesquisadores, interessados em traduzir informações complexas para o público leigo e os jovens em particular.
Na Unifor, Daniel Camurça já usa os quadrinhos nas aulas de Direito desde 2014. Segundo o pesquisador, que é orientador do Grupo de Pesquisa Justiça em Quadrinhos da instituição de ensino, os participantes do evento terão acesso a uma forma de aprendizagem interdisciplinar. Essa reunião de mentes reflete uma contínua produção dentro da academia.
Em 2013 foi criado o Grupo de Pesquisa em Filosofia do Direito; um anos depois, surge o Grupo de Pesquisa Justiça em Quadrinhos, ambos vinculados ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
"Para o mercado isso é fundamental. Temos como papel formar com excelência profissionais multifuncionais, capacitados a entender e atuar de maneira holística no mercado. As empresas públicas e/ou privadas serão amplamente beneficiadas com nossos modelos de pesquisa e de capital humano", avalia Camurça.
Atividades
As inscrições do colóquio podem ser feitas no local. O evento contribui também na reflexão sobre fronteiras entre os campos sobre os quais se debruça (direito, política, filosofia) e produção de mídias.
A primeira atividade desta terça coloca o pesquisador e mestrando do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Federal do Ceará, (PPGCOM-UFC), Pedro Brandão em uma palestra sobre as muitas formas de se descrever uma realidade nas HQs, com o estudo "Desenho da memória: Quadrinhos como representação das diferentes realidades". Já o quadrinista e também mestrando do PPGCOM-UFC Davi Ferreira fala sobre sua investigação "Estudando os vingadores: Super-heróis como objeto de pesquisa".

Programação

Terça-feira (2)
8h (Auditório A4)
Palestra: "Desenho da memória: Quadrinhos como representação das diferentes realidades", com Pedro José Arruda Brandão.
10h (Auditório A4)
Palestra: "Estudando os Vingadores: Super-heróis como objeto de pesquisa", com Antonio Davi Delfino Ferreira.
15h30 (Sala K36)
ST1: "Justiça em Quadrinhos"
Coordenador: Prof. Dr. Daniel Camurça Correia
15h30 (Sala K34)
ST2: Filosofia do Direito
Coordenador: Profa. Dra. Aline Passos Maia
17h30 (Auditório B42/44)
Mesa redonda: "Autonomia e produção de mulheres na pesquisa e no mercado de quadrinhos", com
Débora Cristina Lima dos Santos, Amanda Gonçalves Alboino, Jéssica Gabrielle de Menezes Lima e Rute Oliveira de Aquino.
19h (Auditório B42/44)
Conferência de encerramento: "Imagem e cidade: A 'grande cidade' nas graphics novels de Will Eisner", com o Prof. Mestrando José Rener de França Silva.

Diário do Nordeste

Comentários

Mais Visitadas

MEU PROFESSOR: MEU SUPER-HERÓI

Morre, aos 92 anos, a escritora Zibia Gasparetto

A Palavra Não

Dentro da rotina das redes sociais, mulheres dividem as dificuldades e os pontos positivos de expor a maternidade