Cine Humberto Mauro exibe a mostra 'Era dos Extremos'

Programação reúne 30 obras que retratam diferentes momentos de um dos acontecimentos mais traumáticos da sociedade moderna: a II Guerra Mundial.


O Grande Ditador (1940).

O Grande Ditador (1940). (Divulgação)
Cine Humberto Mauro apresenta a mostra Era dos Extremos, reunindo 30 obras que contextualizam a II Guerra Mundial, considerada o evento mais traumático da sociedade moderna e que influenciou inúmeras produções cinematográficas. A programação é diversa, contando com curtas-metragens, longas considerados clássicos e algumas raridades que abordam, principalmente, a ascensão dos regimes totalitários na Alemanha e Itália.
Segundo Bruno Hilário, curador da mostra e gerente do Cine Humberto Mauro, os filmes selecionados mostram os efeitos dos períodos pré, durante e pós II Guerra na sociedade como um todo. “Alguns dos filmes fazem uma ponte entre o coletivo e o individual de maneira poética por meio do romance, das relações familiares e do cotidiano tomado pela desesperança. Já outros são mais documentais e abordam ideias extremistas que foram difundidas por meio da estética da arte, visando a legitimação das atrocidades cometidas nesse período”, comenta Bruno Hilário.
“Era dos Extremos” reúne na programação filmes clássicos como Casablanca (1942), de Michael Curtiz, O Ovo da Serpente (1973), de Ingmar Bergman, O Grande Ditador (1940), de Charles Chaplin e Roma, Cidade Aberta (1945), de Roberto Rosselini, que foi filmado em locações reais. Também, entre os destaques da mostra está Arquitetura da Destruição (1989), documentário que aborda a estetização da política pelo Partido Nacional Socialista Alemão e como o empenho em criar o Ideal Ariano levou ao extermínio de milhões, provocando a ascensão de Hitler por meio da imagem e da comunicação de massa.
Katyn (2007), outro destaque da mostra, acompanha Anna, que aguarda na companhia da filha o retorno do marido, Andrej. Os soviéticos informam que os poloneses foram assassinados pelos nazistas na floresta de Katyn, mas o diário de Andrej conta uma história diferente. Destaca-se, também, Amacord (1973), filme de Federico Felini sobre o cotidiano de sua própria cidade, Rimini, por meio de diversos personagens e acontecimentos, em meio ao fascismo.
O título da mostra faz referência ao livro homônimo de Eric Hobsbawm, renomado historiador inglês que analisa os eventos, fatos econômicos, sociais e culturais do século XX. Assim como a mostra do Humberto Mauro, a obra amplia o conceito de “extremo”, contrapondo a visão bipolar do mundo apreendida pela sociedade nesse período. “Para além dessa divisão entre Estados Unidos e União Soviética, democracia e fascismo, reside também nos extremos todo o contraste entre a riqueza e a pobreza, o poder econômico e o desenvolvimento social, o progresso e a barbárie”, resume Bruno.
História Permanente do Cinema – O Cine Humberto Mauro dá continuidade às sessões comentadas do programa História Permanente do Cinema. Durante a Mostra Era dos Extremos, será exibido o longa Trás-os-Montes (1976), de António Reis e Margarida Cordeiro, em cópia raríssima e restaurada cedida pela Cinemateca Portuguesa. A sessão será comentada pelo professor de cinema João Dumans. Trás-os-montes será exibido dia 29/10 às 19h30 em edição especial da História Permanente do Cinema.
CINE HUMBERTO MAURO – Mostra Era dos Extremos
Local: Cine Humberto Mauro – Palácio das Artes
Endereço: Av. Afonso Pena, 1.537
Período: 28 de outubro a 21 de novembro
Entrada gratuita – Ingressos distribuídos uma hora antes de cada sessão
Informações para o público: (31) 3236-7400 

Fundação Clóvis Salgado

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