A trajetória do Museu da Imagem e do Som para refletir sobre o papel do equipamento e seu lugar no Estado hoje

PASSANDO por reformas e ampliação, o MIS vai receber arquibancadas, espaço para exibição de filmes e, ao lado, um café. A construção do prédio anexo já está na segunda fase de construção André Salgado, em 12/12/2011
PASSANDO por reformas e ampliação, o MIS vai receber arquibancadas, espaço para exibição de filmes e, ao lado, um café. A construção do prédio anexo já está na segunda fase de construção André Salgado, em 12/12/2011
Em 2020, o Museu da Imagem e do Som (MIS) do Ceará irá completar 40 anos. Mesmo chegando à vistosa marca e tendo sob sua guarda um acervo de cerca de 160 mil itens - entre eles, registros de uma seca nos anos 1980 feitos por Sebastião Salgado e diversos objetos e gravações do compositor Humberto Teixeira, por exemplo -, ele ainda não se estabeleceu no cenário cultural do Estado. Com foco em preservação e difusão de memória audiovisual, teve, alternadamente, fases mais ou menos difíceis desde o ano de 1980, quando foi criado junto à Biblioteca Menezes Pimentel. A torcida é que o MIS feche as quatro décadas de vida, no mínimo, aberto ao público.
Em 1996, o museu se mudou para a avenida Barão de Studart, onde se mantém até hoje, no entanto em obras. À época, o Vida&Arte; registrou o processo de reestruturação do equipamento, que faz parte de um projeto do então secretário da Cultura do Ceará, Paulo Linhares, hoje presidente do Instituto Dragão do Mar. Naquele ano, foi lançado o Pólo de Cinema do Ceará, que acolhia o MIS. Nas páginas do V&A;, o plano voltado para o museu já havia sido adiantado pelo gestor em artigo de 27 de maio de 1995. O então novo endereço foi residência do senador Fausto Augusto Borges Cabral e depois residência oficial e sede do Governo do Estado. Nos últimos anos, o prédio, tombado, fechou as portas algumas vezes. Mais recentemente, no primeiro semestre de 2018, entrou em processo de reforma e restauro e, portanto, viu o acervo se mudar provisoriamente para uma casa na rua Silva Paulet. Existe, ainda, o projeto de construção de um novo prédio interligado ao antigo, compondo um "novo MIS".

Recuperando a reestruturação de 1996, Paulo Linhares aponta um problema da época que persiste até hoje. "Faltava uma política de memória para o audiovisual cearense e era um momento de muita efervescência do ponto de vista de produção de filmes, formação. Resolvi recuperar aquela casa e transformá-la no MIS. (Mas) Nós tínhamos um problema: não tínhamos uma cinemateca como nos moldes da nacional, do ponto de vista de memória audiovisual, era muito frágil, desprovidos de uma instituição (do tipo)", ressalta. Para o ex-secretário, o MIS "daria partida para isso". "Não seria só ele, é muito pequeno, (mas) seria uma partida importante, aliada a uma boa biblioteca estadual, a um centro de estudos de pensamento e formação dessa memória do Ceará. Mais do que o equipamento e o lugar, falta a inteligência", defende.
A reportagem ouviu para esta matéria alguns dos diretores que passaram pelo equipamento: Xico Aragão, que ocupa a função desde março de 2018, e Dilmar Miranda, que atuou do início de 2015 ao final de 2017;
O Povo

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