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HERANÇA QUE RECEBI

Padre Gleiber Dantas de Melo*
A imagem pode conter: Gleiber Dantas de Melo, sorrindo
Como cada pessoa, sou filho de muitos tempos. Se fui concebido há quarenta e um anos, minha gestação nasceu muito longe daqui. Vim do emaranhado de muitas veias, trago a marca de muitos rostos e levo comigo as cicatrizes de séculos. Resiste em mim a vida que meus pais retocaram e que realizo com todos os que me habitam, dentro e fora da circunscrição do meu abraço, sem os quais seria mônada anômala, eu.

Da mesma forma que não faço ideia de quantos faço parte, também não sei de quantos sou composto. Alguém duvida que o ser é feito de todos, indistintamente? Quem é, procede do todo que a todos fez e que para todos existe. Essa seletividade discriminatória que nos ridiculariza agora também nos excluirá da unidade definitiva, quando as eras forem reunidas, e princípio e fim se encontrarem. Inferno é ser desinteiro.

Agradeço, pois, a quem me fez e não me completou, mas deixou-me aberto para as inconclusões conscientes que educam e, por isso, santificam. Dessa gratidão radical e primordial nasce todo o agradecer por mais um dez de dezembro, seis de abril, vinte e nove de janeiro, sete de setembro, dois de agosto, dezessete de fevereiro, treze de dezembro e cada dia. Mais do que agradecer pelas palavras, agradeço pelo eco e pelo que nem o silêncio foi capaz de dizer. Meu aniversário tem trezentos e sessenta e seis dias, pois em cada um deles eu me amplio nessas pessoas que me resgatam de mim e me devolvem à vida que me fez, me habita, me ama e me crê.

Eu que não quero ser estrela, vi-me constelação na família, na fé, nas flores onde moro. Gostei demais! Também nas mãos que pareciam ferir meu peito; elas abriram as covinhas nas quais deitaram-se sementes que estão quebrando a dureza das minhas calçadas e levantando a pavimentação que fiz para minhas incertezas (ou melhor, inseguranças ou ilusões).

Termino a leitura desse testamento agradecendo a você que me presenteou com suor, lágrima e coragem, fé, esperança e amor, para eu ter você como riqueza na vida de agora, e como saudade, na vida de sempre.

*Historiado, Pároco de Florânia - Diocese de Caicó (RN)

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