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Cuidado com as artimanhas da rede

Às vezes fico pensando no que éramos nós antes das redes sociais.
É um tal de memerizar, de viralizar, de sacralizar e horrorizar que não tem mais fim.
É um tal de memerizar, de viralizar, de sacralizar e horrorizar que não tem mais fim. (Pixabay)

Por Afonso Barroso*
Tem hora que a gente se enrola ou se perde no emaranhado das chamadas redes sociais. Se você trilhar com atenção o caminho do Facebook, por exemplo, vai descobrir como é tortuoso e traiçoeiro, cheio de armadilhas que podem de repente capturá-lo e dependurá-lo pelos pés. Ao percorrer esses meandros, o cavaleiro andante nem sempre acha alguém, um pobre Sancho Pança que seja, a quem pedir socorro. É um tal de memerizar, de viralizar, de sacralizar e horrorizar que não tem mais fim.
O certo é que as redes sociais viraram mania. Eu mesmo me confesso um maníaco do Facebook. Antes, minha mania era só ler e escrever. Agora, tenho também a de me divertir com os posts, pois a rede os tem para todos os gostos. Tem os que instruem, os que irritam, os que divertem, os incríveis e os críveis, os idiotas, os eruditos, os folclóricos, os politicamente corretos e os incorretamente políticos, os discricionários, os melancólicos, os racistas, os desprezíveis, os inteligentes e os burros, os agressivos, os raivosos, os fanáticos, os angélicos e os diabólicos. Uma mistura extraordinariamente diversificada, sem a qual a vida virtual não teria graça nenhuma.
Às vezes fico pensando no que éramos nós antes das redes sociais. Éramos aquilo que continuamos sendo: seres humanos à procura ou à espera de algo novo pra viver com mais interesse e mais intensidade. Somos o que éramos antes do automóvel, do telégrafo sem fio, do avião, da penicilina, do gramofone, do telefone fixo e móvel, da vitrola, do rádio e da radiola, da televisão, do computador.
É muito divertido abrir o Facebook, onde nada é desaproveitável. São interessantes até as besteiras postadas, muitas vezes com seríssimos erros de português. Todas têm a assinatura corajosa do postante, que costuma externar bobagens sem o mínimo de pudor. Faz mal não. O livre pensar existe é pra isso mesmo. Pra pensar e postar. Vai em frente, meu caro postador ou minha amantíssima postadora, e deixa a vida te levar, que a vida é breve e o Face, longo.
Foi nessa rede que se difundiram as fake news, e como são divertidas as fake! Ali se postam notícias mentirosas na certeza de que o feicebuqueiro é ingênio, desprevenido, facilmente manipulável e influenciável. E o pior é que muitos o são mesmo.
Uma das criações anônimas e curiosas da rede foi a onomatopeia gráfica da risada, se me permitem chamar assim a repetição de kás, kkkkkkkkkk, que muito postador usa para rir dos outros ou de si mesmo.
Sou um dos 140 milhões de brasileiros abertos no Facebook, que tem mais de 2 bilhões e meio de usuários no mundo inteiro. Isso me torna um ser estatístico de alta meritocracia.
E não se pode falar de Facebook sem lembrar a campanha política, que foi um festival hilário e dramático de todo tipo de postagens. Verdades, mentiras e comentários dos mais diversos calibres invadiram o mundo internauta, virtualmente tomado pela intransigência, pela troca de gentilezas e agressões e pela revelação de verdadeiros idiotas da objetividade, como diria Nelson Rodrigues. Mas todos acabaram amigos. Ou será que não?
*Afonso Barroso é jornalista, redator publicitário e editor.

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