Pular para o conteúdo principal

Espetáculo inspirado na obra de Rachel de Queiroz entra em cartaz no Teatro Dragão do Mar

(Foto: Marcia Ribeiro/Divulgação)
Talvez não fosse imaginável que, mais de cem anos depois, a seca do Nordeste ainda fosse pauta recorrente em noticiários e tema importante em diversas manifestações culturais. O sofrimento do nordestino durante a estiagem que assombrou durante anos o sertão foi poeticamente retratado por Rachel de Queiroz, quando escreveu O Quinze, lá em 1930. Descrevendo de forma precisa as relações pessoais e com a terra que tanto lhes deu como também tirou, o livro tornou-se um clássico da literatura, sendo o primeiro romance de Rachel de Queiroz, aos dezenove anos de idade.

Um passado obscuro na história do Ceará ganha um tom mais leve e contemporâneo para ser representado pelo balé do Grupo Bailarinos de Cristo, Amor e Doações (Bcad). Na paisagem de Senador Pompeu, município do interior do Ceará, local onde, no início do século 1920 havia campos de concentração - locais onde imigrantes eram alocados para que não fugissem para a Capital - popularizados como currais e relembrados por Rachel em sua obra. "Nós tentamos deixar a passagem dos currais mais leve, para lembrar da alma alegre do povo nordestino, que não perde a risada e colore a vida em meio às dificuldades", conta Janne Ruth, idealizadora do Grupo Bcad, que ficará em cartaz com o espetáculo "O Quinze - A escassez da alma" durante as quintas-feiras de janeiro no Teatro Dragão do Mar.
Tendo o corpo como instrumento para compartilhar as emoções e permitir que o público visualize o contexto criado pelo espetáculo, além da possibilidade de improvisações que dão ao dançarino a liberdade de expressar o que está sendo sentido no momento. A coreografia de Gleidson Vigne, dançarino e diretor da Nimo Cia de Dança, preparada especialmente para a montagem dialoga com a poesia de Rachel de Queiroz, mas não se limita ao sofrimento vivido por causa da seca. Os passos também nos contam sobre resistência e alegrias.
Resistência esta que é razão para o trabalho de Janne Ruth com o Grupo Bcad, que, há mais de trinta anos, trabalha na periferia de Fortaleza. 
Oferecendo às crianças e jovens de baixa renda a oportunidade de mudar de vida a partir da dança, Janne conta que seu maior orgulho é mostrar que, "mesmo sendo negado", eles possuem o direito de querer um futuro melhor. "Nossa grande missão é transformar a vida desses jovens. A dança é apenas um detalhe, um pequeno passo nessa grande batalha que é a desigualdade social", conta Janne, ao relembrar o porquê de ter criado a Bcad e orgulhando-se das conquistas adquiridas durante a trajetória do Grupo.
Serviço 
Espetáculo O Quinze - A escassez da alma 
Quando: quintas-feiras de janeiro: 10, 17, 24 e 31, às 20 horas
Onde: Teatro Dragão do Mar (rua Dragão do Mar, 81 - Praia de Iracema)
Quanto: R$ 10 (inteira)  e R$ 5 (meia)
O Povo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…