UMA “VALE” DE LAMA

Minas Gerais sempre foi um estado riquíssimo em ouro, diamantes e minérios, desde os tempos que remontam à colonização e à interiorização do Brasil.
Diamantes e muito ouro foram extraídos de suas terras e espoliados para terras além-mar, e hoje enfeitam as mais belas igrejas e monumentos existentes mundo afora.
Compreensível sob o ponto de vista histórico, afinal, o Brasil-Colônia e o Brasil-Império tinham suas razões para assim proceder.
Passados séculos, no Brasil brasileiro, Minas Gerais continua sendo alvo da cobiça humana e suas riquezas continuam sendo exploradas de forma intensa.
A multinacional Vale do Rio Doce é uma empresa que ocupa o primeiro lugar na produção de minério de ferro, pelotas e níquel. Investe 5,5 bilhões de dólares e contrata 70% da mão-de-obra local. Possui 8,2 mil km quadrados de áreas naturais protegidas. Assim consta em seu site.
Sobre a missão e os valores da empresa, diz o site: “nosso compromisso é gerar prosperidade com respeito pelas pessoas e pelo meio ambiente”. Os desastres de Mariana e de Brumadinho desmentem essa afirmativa.
Ocorre que, as atividades da Vale, exigem uma redobrada fiscalização e cautela por parte do ente estatal, notadamente pelo impacto ambiental que causa e pelos eventuais danos que possa vir a causar; pelos riscos humanos que propicia, com real perigo de dano, tal como ocorreu recentemente em Brumadinho.
Para isso, devem ser as leis ambientais respeitadas e os órgãos de fiscalização rigorosos em seu mister. É onde o poder estatal deve fazer valer seu dever de zelar pela sociedade, pelo meio ambiente.
O que vimos? Descaso com a vida humana. Desrespeito com o meio ambiente.
O desastre em Mariana, ocorrido anos antes, não serviu de exemplo nem de aprendizado.
O desastre de Brumadinho tende para novo descaso.
A Vale do Rio Doce tem que ser chamada à responsabilidade pelos males que causa e deve ser rigorosamente fiscalizada em suas atividades, as quais acarretam e podem acarretar danos incontornáveis à sociedade e ao meio ambiente.
Diante da recente tragédia, é preciso que o governo federal seja capaz de fazer diferente.
É tudo o que se pode desejar, mesmo para aqueles que nada desejam.
Que sejamos capazes de aprender com mais um desastre de proporções incalculáveis, mesmo que não queiramos aprender mais nada.
Que sejamos capazes de ter esperança em um país melhor, mesmo que estejamos cansados de sonhar.
Que a Vale deixe de ser um vale de lama.

Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

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