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Capela revestida por milhares de ossos é ponto turístico excêntrico em Portugal


A Capela dos Ossos é uma das atrações da região do Alentejo cuja capital, Évora, ganhou título de Patrimônio Mundial da Humanidade


Acima da porta de entrada, um aviso a todos pobres mortais que incluíram no seu roteiro uma das atrações da região do Alentejo, em Portugal: "Nós ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos". Parece sinistro, fúnebre, até de mau gosto. A Capela dos Ossos de Évora, porém, é um convite à reflexão sobre a morte e, especialmente, sobre a vida. 
Imagine um templo com paredes e pilares totalmente revestidos com milhares de ossos humanos. Dependendo da sua relação com a finitude, pode não ser convidativo inclui-lo entre locais a conhecer nesta encantadora região, localizada a pouco mais de uma hora de carro de Lisboa. 
Confesso que só me arrisquei nessa imersão na segunda visita a Évora. E valeu muito a pena. Pela singularidade e, acima de tudo, pelos momentos de contemplação. É surpreendente, mesmo que antes eu tenha pesquisado sobre a história da capela.
Transitoriedade
Soube, por exemplo, que foi idealizada por três frades franciscanos no Século XVII, com intuito de fazer os frequentadores refletirem sobre a transitoriedade e fragilidade da vida. Outro fato curioso é como esse acervo chegou ao local. Conta-se que, no século XVI, existiam perto de 42 cemitérios monásticos em Évora, que ocupavam muitas áreas da cidade. A solução encontrada pelos monges foi extrair os ossos do chão e utilizaram-nos para construir e "decorar" esta capela.
Aprendi ainda que é um monumento de arquitetura penitencial dedicada ao Senhor dos Passos, que representa o sofrimento de Cristo na sua caminhada até o calvário com a cruz às costas. A imagem é conhecida pelos moradores da cidade como Senhor Jesus da Casa dos Ossos.
Capela dos OssosCapela dos Ossos
Detalhe da Capela dos Ossos de Évora, uma das três do gênero em Portugal. A cerca de uma hora dali, em Monforte, há outra bem menor. Já a de Campo Maior, quase na fronteira com a Espanha, é quase tão grande quanto a de Évora
FOTO: TURISMO ALENTEJO
 Com essas informações em mente, cheguei à Igreja de São Francisco, onde fica a capela, disposta a encarar essa realidade, lembrando da passagem bíblica "Do pó viemos e ao pó voltaremos" (Gêneses  3:19). Contudo, o espaço significa mais do que isso.  Além de o lugar abrigar dezenas de caveiras e ossos, está decorado com estátuas religiosas, uma pintura renascentista e um teto abobadado, com afrescos que representam passagens bíblicas ligadas à vida e morte.
espaço é pouco iluminado. A luz natural entra por brechas estreitas de três naves. Ah! Se fiz fotos? Algumas, mas não há nenhum registro meu no local. Achei desnecessário. A experiência por si só é inesquecível.
Arredores
A Capela dos Ossos justifica a viagem. Contudo, a cidade de Évora, Patrimônio Mundial da Humanidade, merece atenção especial. Um passeio a pé pelas ruas centrais é imperdível. Se estiver de carro, é possível explorar um pouco os arredores.
O Alentejo reúne história, arquitetura, natureza abundante e gastronomia singulares. Pelas aldeias, preste atenção nas casinhas todas brancas e portas com moldura pintadas, por exemplo, de amarelo ou azul. Por isso, se tiver tempo, fique pelo menos três dias. Caso contrário, embora seja mais cansativo, vale um bate-volta a partir de Lisboa.
COMO CHEGAR
De Fortaleza a Lisboa: Voos diretos da TAP a Lisboa ou com conexões da Air France ou KLM.
De Lisboa a Évora: O ideal é alugar um carro, pois há muito o que descobrir no Alentejo. O percurso é de 135 Km (cerca de 1h15m de duração ), com saída pela Ponte 25 de Abril (A2) ou Ponte Vasco da Gama (A12). Siga pela autoestrada A6. Há linhas de ônibus (autocarro), pela Rede Expressos.

SERVIÇO
Capela dos Ossos de Évora
Praça 1º de Maio 7000-650
Rua Bilhete único dá acesso ao templo, ao Núcleo Museológico e  Colecção de Presépios.
Visitação diária, com exceção de 1 de Janeiro; Domingo de Páscoa; 24 de Dezembro à tarde; 25 de Dezembro.
Para consultar horários e preço do ingresso, acesse:  o site da Igreja de São Francisco


Diário do Nordeste

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