Exposição do modernista Ismael Nery chega a Fortaleza

Exposição de panorama da obra do artista, falecido em 1930 e redescoberto décadas após a morte, entra em cartaz na Casa d'Alva

30 obras do paraense ignorado por público e crítica após a morte compõem a exposição da Casa d'Alva
30 obras do paraense ignorado por público e crítica após a morte compõem a exposição da Casa d'Alva (Foto: Ismael Nery / divulgação)
Reunindo 30 obras entre desenhos, aquarelas e pinturas a óleo feitas entre as décadas de 1920 e 1930, a Casa d'Alva abriu mostra individual do artista paraense Ismael Nery (1900-1934). Com a vivência europeia que teve nos primeiros anos de vida adulta, foi influenciado na arte pelo modernismo e vanguardas europeias numa obra que José Guedes, artista e curador da exposição em parceria com Roberto Galvão, classifica como "universal". Morto aos 34 anos em decorrência de uma tuberculose, Nery passou anos numa espécie de esquecimento, até ter a obra redescoberta na década de 1960.
"Apesar de ter feito algumas exposições, entre individuais e coletivas, ele, em vida, sempre foi um pouco deixado de banda em relação aos modernistas da época. Não teve a mesma aceitação", contextualiza Guedes. Um dos motivos que pode ter levado a isso, afirma, foi a religiosidade católica de Nery. "Na época, isso era um estigma para a intelectualidade".
A obra do artista deixou de ser ignorada a partir da seleção de obras dele para a 8ª Bienal de Arte de São Paulo, onde teve uma sala especial. A partir daí, passou a ganhar relevância pela crítica e curadores, ganhando exposições retrospectivas em diferentes museus e destaque no mercado de arte. Como explica o curador: das 30 obras em exposição na Casa d'Alva, 23 estiveram presentes na mostra retrospectiva de Nery que ocupou o Museu de Arte Moderna de São Paulo em 2018. "Ele teve cerca de 100 trabalhos em pintura e, na exposição, quatro são pinturas. Obras emblemáticas", ressalta.
O paraense já teve obras expostas em Fortaleza em exposições coletivas na década de 1980, mas é a primeira vez em que uma solo chega à Capital. "Há obras dele na coleção da Unifor, mas é a primeira vez (como mostra). Conseguimos as 30 obras que compõem a exposição de coleções particulares, a maioria de São Paulo", afirma. Para Guedes, a importância de expor o artista na Casa d'Alva é significativa para a Cidade, destacando o caráter "sensível e autorreferente" das obras de Nery. "Enquanto ele ia definhando (pela tuberculose), ia refletindo isso na arte", ilustra.

Exposição Ismael Nery

Quando:em cartaz até 
6 de abril

Visitação: segunda a sexta, de 10 às 19 horas; sábado, de 10 às 14 horas
Onde: Casa d'Alva (rua João Brígido, 934, Aldeota)
Entrada gratuita.
Mais infos: (85) 3252 6948
JOÃO GABRIEL TRÉ
O povo

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