OS MONSTROS QUE NÓS CRIAMOS

Suzano. São Paulo. 13 de março de 2019.
Dois rapazes, um de 17 e outro de 25 anos, chegam em uma escola pública e atiram de forma aleatória, atingindo diversas pessoas, dentre estudantes adolescentes, integrantes da equipe pedagógica e funcionários.

Várias pessoas são mortas. Algumas ficam lesionadas. Os responsáveis por tamanha barbárie também morrem. Um mata o outro comparsa, em seguida, tira a própria vida.
As causas ainda não foram devidamente esclarecidas.
Sabe-se apenas que o crime fora arquitetado por meio das redes sociais.
A filmagem que circulou na internet, mostrando um dos assassinos chegando na escola, tirando a arma da mochila e atirando contra pessoa inocentes, sem que lhes fossa dada qualquer chance de defesa, choca, estarrece, assusta, apavora. E nos faz pensar.
A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e texto
Em que sociedade vivemos? Por qual razão dois jovens resolvem cometer um verdadeiro massacre em uma escola, matando e ferindo inocentes? Por que alvos incertos, escolhidos a esmo? Por que tirar a vida dos outros para depois retirar suas próprias vidas?
Por que os familiares desses rapazes não perceberam algo errado em suas atitudes, em seus comportamentos, antes da tragédia?
As respostas talvez nunca sejam dadas. Os motivos talvez jamais sejam explicados.
Conviveremos com as dúvidas, com as incertezas, com imagens terriveis, capazes de nos levar a refletir: e se fossem nossos filhos ou nossos parentes?
Talvez seja melhor conjeturar sobre o que podemos fazer para não mais criarmos monstros assim: frios, calculistas, desumanos.
Talvez seja melhor refletir sobre o que devemos fazer para que nossos filhos, amigos, parentes ou conhecidos não ajam de forma tão vil.
Talvez seja melhor começarmos a cultivar a solidariedade, o amor, a compaixão, a gentileza, a tolerância, a delicadeza para com o próximo, construindo uma sociedade pacifica, replicadora de bons pensamentos e gestos.
Talvez...
O fato é que a ganância, a ignorância, o egoísmo, o desrespeito e o desinteresse para com o outro, dentre tantos outros vícios e defeitos, vêm criando verdadeiros monstros em uma sociedade já doente e agonizante.
Bem mais fácil é colocar a culpa de crimes como esse ocorrido em Suzano, nas redes sociais, ao invés de chamarmos a culpa para nós mesmos. Afinal, à frente da tela do computador está o ser humano. A máquina age ao seu comando.
Estamos criando monstros para nos destruir e sequer percebemos. Melhor continuar culpando as redes sociais, os games, os filmes, os outros...
Grecianny Carvalho Cordeiro
Promotora de Justiça

Comentários

Mais Visitadas

Cyberbullying: sofrimento causado através da tela

José, servo bom e fiel

STJ proíbe cobrança de taxa de conveniência na venda de ingressos pela internet

Campus Party 2018 vendeu 30% a mais de ingressos que edição anterior

Bullycídio e as previsões no ordenamento jurídico