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1º de Maio: Trabalho «4.0» é desafio para a sociedade, alterando noção de empresa

Especialistas e profissionais sublinham impacto das mudanças em curso com a chegada de plataformas e crescente digitalização
Lisboa, 30 abr 2019 (Ecclesia) – A transformação do mundo laboral, com a chamada quarta revolução industrial e o trabalho ‘4.0’, estão a alterar a noção de empresa e a relação entre profissionais e clientes.
Helena Lopes, investigadora do ISCTE-IUL, refere à Agência ECCLESIA que o surgimento de plataformas digitais, que agregam profissionais e os colocam em contacto direto com os consumidores pode fragilizar o prestador, entregue a si próprio.
“É como se essas plataformas se substituíssem à empresa, já não são empresas propriamente ditas. São plataformas que coordenam o trabalho. Aquilo que a empresa fazia, organizar o trabalho, o empreendimento coletivo, agora não existe, é só preciso pôr em contacto o cliente com o trabalhador”, precisa.
Em 2011, na Feira de Hannover anunciava-se uma quarta revolução industrial e do trabalho 4.0, baseado na possibilidade de as máquinas comunicarem entre si, na capacidade do processamento de dados e na sua disponibilização aos operadores humanos.
Uma realidade que tem vindo a mudar o mundo do trabalho e a “polarizar” o emprego.
Helena Lopes sublinha que há “cada vez mais empregos qualificados e cada vez mais empregos desqualificados, com o desaparecimento dos intermédios”, o que pode levar a um “desaparecimento da classe média”, segundo alguns autores, e “uma espécie de esvaziamento do centro”, do ponto de vista político.
Entre as novas aplicações digitais agregadoras de serviços destacam-se os transportes, com as alternativas mais recentes a gerarem alguma tensão com as associações tradicionais dos transportes.
Para alguns foi também a oportunidade de regressar ao mundo do trabalho, como é o caso de António (nome fictício), condutor.
“Temos de vir para a estrada todos os dias”, com um objetivo diário, “para poder levar algum dinheiro, no final”, relata.
Se ficar doente e faltar alguns dias, não vou rentabilizar a viatura. Se não rentabilizar a viatura, já não vou dar lucro”.
O profissional fala numa realidade em que “não há nada fixo” e realidades como férias ou 13.º mês não são contempladas.
“Se trabalharmos vamos ter rendimento, se não trabalharmos, não temos rendimento”, sintetiza.
O Laboratório Colaborativo (CoLABOR) para o Trabalho, Emprego e Proteção Social promoveu esta segunda-feira, na Fundação Gulbenkian, uma reflexão sobre o trabalho 4.0 o impacto da tecnologia no trabalho e no emprego no séc. XXI.

Manuel Carvalho da Silva, coordenador do CoLABOR, refere à Agência ECCLESIA que é preciso promover uma reflexão sobre a proteção social, sem submissão a “lógicas deterministas”, e apresentar sugestões que possam ser um “impulso de desenvolvimento”.
“O trabalho continuará a ser central nas nossas vidas e na organização da sociedade. Procuraremos encontrar respostas, na articulação das tecnologias com o trabalho, o que são os impactos a nível dos perfis, das competências”, observa.
Manuel Heitor, ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, realça, por sua vez, que “aprender é importante e recompensa”, destacando o impacto da robotização e da inteligência artificial no “crescimento do emprego”, cada vez mais complexo.
“Temos de antecipar e estudar essas evoluções, para garantir mais e melhor emprego”, com condições de estabilidade, conclui o membro do Executivo.
HM/OC

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