Pular para o conteúdo principal

À beira mar

As redes sociais são novas fronteiras, beira mar. Estamos aprendendo ainda os seus limites

FATHER
Meu impulso ao chegar no litoral é sempre arrancar o calçado e caminhar ao longo de toda praia, até o seu final, normalmente de pedras, muitas pedras. Andar ali, bem no limite, no encontro da água com a areia. Onde o mar encontra o continente.
É, para mim, uma explosão de sentidos e sentimentos. Primeiro visual: o mar azul contracenando com a areia branca, os rochedos e, do outro lado, a serra verde de mata nativa. Depois, o sentido tátil: o vento envolvendo todo o corpo e a água alcançando os pés, ora mais, ora menos. E tem sabor, quando uma leve gota da maresia chega até a boca… Doce sal do mar! Por fim, o bem estar leva a um profundo aspirar…respirar. E aí, o cheiro do mar nos envolve. Uma sensação incrível de liberdade, paz!
Uma paz sobre conflitos, sobre limites, onde há avanços e recuos. O movimento incessante das águas, por dias, meses e anos: marés altas e baixas. Praias que diminuem, para depois crescerem. Será que existe um vencedor nesta disputa por espaço? Dizem que o mar está subindo. E ele não desiste mesmo!
Essa imagem magnífica, que também traz tensões, pode ser associada aos relacionamentos humanos. Aprendi faz tempo e com o tempo: é “uma tentativa em comum”. Movimento, eterno ir e vir, ajustando nossos limites: até onde ir sem ferir, até onde ceder, sem deixar de ser. Nada fácil: naturezas, personalidades, e experiências diversas. Encontrando-se e revelando-se.
É tanta força de ambos os lados que, não raro, pode gerar admiração, afeto, paixão, amor. Tudo começa, se ampara no respeito. Ter a sensibilidade para reconhecer o “incontrolável” do outro, “como faz o velho pescador quando sabe que é a vez do mar”. Se não, é o caos! Vem a tempestade e arrasta tudo, faz novo curso, destrói e mata o belo sentimento que um dia existiu.
Também para uma boa convivência é indispensável respeitar as diferenças. Seja na vida real ou por meio de um aparelhinho que se carrega no bolso. Como disse o Papa Francisco, “a mística do respeito contra a cultura do insulto”. As redes sociais são novas fronteiras, beira mar. Estamos aprendendo ainda os seus limites. Mas já podemos avistar e saber que sem humildade, bondade e respeito, restarão só extremos: deserto ou mar revolto.
Por Osvaldo Luiz Silva: jornalista, autor dos livros “Ternura de Deus” e “A vida é caminhar”, pela Editora Canção Nova, editor da Revista Canção Nova e Presidente da Academia Cachoeirense de Letras e Artes (ACLA), em Cachoeira Paulista (SP).

Aleteia

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…