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Oswald Barroso lança o segundo volume de suas memórias ficcionais em noite musical nesta sexta, 31, na Livraria Lamarca

Oswald Barroso
Oswald Barroso (Foto: Edimar Soares, em 13/9/2013)
Mundinho Flor desgarrou-se da infância e adentrou a juventude. Com ela, novas descobertas, mas também incertezas provenientes de uma época difícil, acinzentada por demais. Após Menino Amarelo: As Desventuras de Um Rei Desencaminhado, lançado em setembro de 2018, Oswald Barroso lança nesta sexta-feira, 31, às 19 horas, na Livraria Lamarca (Benfica), Risco Vermelho, o segundo volume de suas memórias ficcionais. Narrado em terceira pessoa, a partir de um personagem fictício - seu alterego, no caso - o escritor cearense, dramaturgo, folclorista e pesquisador de cultura popular dá início a esta saga tendo como ambiente, além de Fortaleza, mais dois locais: Rio de Janeiro e Recife.
"Comecei pelo Rio de Janeiro, para onde fui tratar das fraturas e feridas decorrentes do atropelamento que pôs fim aos meus projetos de atleta. Aproveitei para acompanhar toda uma vida cultural intensa e agitada, em trajes de hippie. Depois voltei para estudar em Fortaleza, participando intensamente do movimento estudantil, de dentro e com todos os seus riscos. Vindo o AI-5, fui obrigado a cair na clandestinidade. Primeiro, morando e conhecendo de perto a vida do povo da periferia de Fortaleza. Depois, no Recife, habitando os bairros populares. Até que, finalmente, apanharam-me e só a loucura me salvou da morte, nos subterrâneos da tortura", descreve o autor.
Risco Vermelho, assim como o primeiro volume e outros três que ainda virão (Sonho Azul, já em fase de finalização; Mato Verde e Luz no Cinza), carrega nas cores a intensidade que a narrativa pede ao longo das páginas. "Escolhi o vermelho para o período entre 1964 e 1974 para caracterizar a época da ditadura, os 'anos de chumbo', porque nela corri o risco de ter ideias vermelhas numa época em que isto era perigoso e até proibido. Felizmente escapei para contar a história. Em todo caso, foi uma época de muitas esperanças em que, finalmente, conseguimos nosso intento: por fim ao regime autoritário, como diziam".
Para ilustrar a obra, Oswald mais uma vez contou com a presença do amigo e parceiro Descartes Gadelha. "Descartes foi e é uma referência constante na minha vida, por sua arte e por seus temas. Completa identificação. O descobri na casa Raimundo Cela, ainda adolescente. Depois o acompanhei, inclusive, desdobrando sua pintura em um estilo próprio, quando fui pintor profissional. Sua influência é visível no meu trabalho. Por último, morei no mesmo quarteirão da sua casa na rua Princesa Isabel (Centro). Conto muito desta amizade nos meus livros. Daí nossa parceria e seu empenho em tão bem ilustrar meus escritos, em livros nos quais ele é praticamente coautor. Talvez uma identificação mútua", reconhece.
Oswald esmiuça o processo de escrita que resultou na feitura de suas memórias ficcionais. "É muita história para um livro só. Com As Desventuras de Um Rei Desencaminhado, criei um personagem fictício para me permitir um certo distanciamento e, mesmo, para evitar ficar repetindo os verbos na primeira pessoa. Além disso, algumas vezes, uso para personagens ou locais, nomes fictícios, procurando evitar mal-estares e constrangimentos, embora faça questão de dizer que tudo o que está contado aconteceu, narrado, claro, sob meu ponto de vista. Nos livros, a maior parte da narrativa refere-se à vida popular, dos outros, dos lugares e pessoas pelas quais passei. E foram muitos", revela. "Comecei em Menino Amarelo, descobrindo o mundo e seu desconserto. Depois quis mudá-lo em Risco Vermelho. Como não consegui, resolvi jogar o seu jogo, embarcando no trem Sonho Azul, correndo mundo em busca de aventuras".
Para a noite de lançamento, Oswald Barroso contará com diversas participações, inclusive musicais. "Risco Vermelho será lançado na Lamarca durante um dos saraus das sextas-feiras. Muitos parceiros e amigos meus vão cantar suas músicas e parcerias nossas, como Eugênio Leandro, João Batista, Johnson Soarez, João Victor Barroso (filho de Oswald), Edmar Gonçalves e Juliano Smith. As apresentações do livro serão feitas pelo poeta Roberto Pontes e pelo professor João Alfredo Telles Melo, apresentador e autor das 'orelhas' do livro, respectivamente", adiantou. Após o lançamento, a obra ficará à venda em livrarias do Benfica (Lamarca, Arte&Ciência e Letra L).
Clique na imagem para abrir a galeria

Lançamento do livro Risco Vermelho, de Oswald Barroso

Quando: sexta, 31, às 19 horas
Onde: Livraria Lamarca (Av. da Universidade, 2475)
Participações musicais  de João Batista, João Victor Barroso, Johnson Soarez, Ronaldo Lopes, Eugênio Leandro, Juliano Smith e Edmar Gonçalves
Outras informações: @livrarialamarca (IG)
TERESA MONTEIRO
O Povo

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