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Recente no mercado, Editora Antofágica aposta na reedição inovadora de clássicos da literatura


No atual momento pelo qual atravessa o mercado do livro no Brasil - nesta semana, por exemplo, estudo da Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou que o setor editorial fechou em queda pelo quinto ano consecutivo - parece utopia abrir uma nova casa de publicação por essas bandas.
Em ritmo de franca resistência e vontade de inovação, contudo, a Editora Antofágica surge como um merecido e necessário fôlego para um cenário que sofre, a duros golpes, a falência de grandes redes de livrarias e todo um impacto negativo no setor de vendas e consumo.
O projeto, com nome derivado de um conto nunca publicado por um dos sócios e inspirado no movimento Antropofágico, vem sendo maturado oficialmente há quase um ano e é resultado de um desejo bem mais longo dos quatro envolvidos: Daniel Lameira, Sergio Drummond, Rafael Drummond e Luciana Frachetta. Enquanto publisher da casa, Lameira dá dimensão de qual é a tônica da iniciativa.
"Lançar os clássicos é algo que nos encanta e apaixona. Fazer isso de uma forma nova e inovadora, com marketing de conteúdo, edições caprichadas e tirando esses livros do pedestal, é algo que já pensávamos, mesmo separadamente".
Nesse movimento, duas obras já foram anunciadas como as primeiras a ganharem os olhos e mãos do público: "A metamorfose", de Franz Kafka - disponível para compra - e "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis, ainda em pré-venda. O arrojado projeto gráfico e editorial, o cuidado em cada página, bem como a interlocução com youtubers (Otávio Albuquerque, do canal "Coisas que nunca vivi (ou evitava viver)" foi convidado a apresentar a obra-prima do autor tcheco) ajudam a endossar a força com a qual a Antofágica chega aos leitores e leitoras.
"Mesmo com vontade apaixonada, a editora nasce depois também de muita pesquisa, de sentirmos o mercado, analisarmos números e construirmos uma tese: muito mais gente está disposta, de todas as idades, a ler os livros clássicos, se eles se apresentarem de forma instigante", sublinha.
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O compilado de ilustrações feitas por Lourenço Mutarelli para a versão da Antofágica de "A Metamorfose"
Referências
Para fazer valer os ideais almejados, o time bebeu de uma série de referências e incorporou a linguagem das novas mídias. Assim, criadores de conteúdos, booktubers, youtubers, podcasters e uma nova forma de se comunicar, transparente e empolgante, atuam de modo a colaborar no processo. Também o marketing digital de empresas como Spotify e a volta da experiência do leitor em primeiro lugar - algo que a TAG faz como poucas - são outras ações que podem ser destacadas.
6 deve ser o número de títulos a serem lançados pela Antofágica ainda neste ano
Mas o peso maior, quando o assunto é o conceito e estética embutidos no virar de páginas, está na inspiração em projetos celebrados pelos atentos amantes das letras. Algo que une, na mesma iniciativa, o que vem sendo observado no trabalho de Folio, L&PM Editores, Penguin Classics Deluxe, Aleph e Darkside.
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Capa de "Memórias Póstumas de Brás-Cubas", de Machado de Assis; no momento ainda em pré-venda, obra contará com ilustrações de Cândido Portinari
O modelo de distribuição também merece atenção: é feito exclusivamente pela gigante Amazon e tem como meta fugir da consignação. "Esse é um dos melhores momentos para se trabalhar com livros. Um modelo antigo, que estava ruindo há anos, se esfacelou", argumenta Daniel.
"Quem tem contato e autenticidade, seja através de redes sociais, feiras, espaços físicos ou virtuais, percebe que há uma seara enorme de leitores ansiosos por conhecer novos universos".
Seguindo esse rastro, Luciana Fracchetta, responsável pelo conteúdo digital da editora, afirma que os canais prioritários da Antofágica hoje são Youtube, Facebook, Instagram e Twitter. "Mas temos, nos planos futuros, algo também em podcast e blog", adianta.
No Youtube, para citar um recorte, ela explica que o objetivo é levar temas que não se fecham apenas nas publicações ou no mercado editorial, mas que estejam relacionados com o público que querem construir. "As outras plataformas farão a função de divulgar o serviço com conteúdo e levaremos, especialmente para o Instagram, os bastidores da editora, contando um pouco do nosso dia a dia", completa.
Uma das principais influências da editora é o Clube de Leitura Círculo do Livro, da década de 1970. A agremiação, segundo Daniel Lameira, era sinônimo de uma curadoria impressionante, um acabamento estético e tátil que até hoje provoca nostalgia e afetividade com o livro, além de um formato de distribuição focado em criar a demanda e relacionamento com o leitor final, não com intermediários
Crescimento
O advogado Sergio Drummond, um dos sócios da editora - detendo a peculiaridade de possuir mais de 30 mil títulos catalogados na própria casa - comenta que a perspectiva do grupo, diante das ações e projetos planejados, é de crescimento.
"Também temos o desejo de vender nas livrarias. É uma opção que particularmente me agrada muito, mas um dos entraves é a venda consignada. Sendo assim, seguimos firmes na venda online, que nos possibilita ir em todos os lugares do País", assegura.
"A modernidade nos obriga a mudar. Novos horizontes estão se abrindo. Devemos aplicar as mesmas fórmulas e estar atentos às possibilidades. A narrativa integra a própria existência humana. Podem modificar no seu percurso: jamais acabar. O livro é sempre!".

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