Pular para o conteúdo principal

A morte de um monumento da literatura em língua portuguesa

Resultado de imagem para escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís
Reverenciada em seu país, especialmente pelos novos escritores, por seu interesse pelo novo, proibido, ousado, a escritora portuguesa Agustina Bessa-Luís morreu na segunda-feira, 3, aos 96 anos. Ela vivia na cidade do Porto, e a causa da morte não foi divulgada. O governo decretou luto nacional e a notícia abalou representantes da cultura de Portugal, que julgam a obra da autora um “tesouro português”. “Remeto-me ao que disse Saramago sobre o que ela escreveu: que, se há em Portugal um escritor que participe da natureza do gênio, é Agustina Bessa-Luís”, afirmou Pilar del Río, presidenta da Fundação José Saramago.
De fato, uma mulher empenhada em escrever para descobrir o que estava por vir e analisar o passado. Agustina estreou como romancista em 1948, com a novela Mundo Fechado e, desde aquela época, publicou mais de uma centena de obras, desde romances a contos e até livros infantis – escreveu também peças de teatro e adaptações para o cinema, além de inúmeras crônicas e biografias, memórias e textos ensaísticos. Agustina gostava de dizer, sobre sua obra, que “nascia adulta e morreria criança”.
Em 1954, lançou o romance A Sibila, que a transformou em grande nome da ficção portuguesa contemporânea. Tal obra foi decisiva também para que ela ganhasse o Prêmio Camões de 2004, o mais importante da língua portuguesa. O júri daquela edição, presidido por Zuenir Ventura, a escolheu por unanimidade por sua obra traduzir “a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora”. Na verdade, Agustina revelava uma grande preocupação pela condição social e cultural dos portugueses, especialmente em pesquisar o passado e suas repercussões no presente. Em A Sibila, por exemplo, ela conta a história da filha mais nova de uma família rural, que nunca estudou, mas se torna uma espécie de oráculo da comunidade.
Era notória sua amizade com o cineasta Manoel de Oliveira (1908-2015), com quem mantinha uma divertida pirraça. “Agustina é muito cabeça dura, pois não gosta de meus filmes”, disse, gargalhando, o diretor ao jornal O Estado de S. Paulo, em uma de suas visitas a São Paulo. Ela, porém, foi mais conciliadora: “Sigo uma teoria desenvolvida por médicos que dizem que, quando o nosso coração está completamente apaziguado, temos só mais cinco meses de vida. Então, temos de estar sempre alterados, que é sinal de vitalidade. Daí o surgimento de problemas na nossa relação. E, mesmo quando não existiam problemas, inventávamos. Manoel sempre disse que está bem comigo quando está zangado comigo. Mas gosto de suas adaptações e o considero um grande cineasta.”
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…