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Arte e inventividade caminham de mãos dadas

A inquietação está no DNA da literatura.

 
Por Objetivo Sorocaba

Arte e inventividade caminham de mãos dadas
Foto: Pexels/Divulgação
O que é um romance com estrutura tradicional? Narrativa linear em terceira pessoa. Começo, meio e fim bem delimitados. Nada de pontas soltas. O narrador não se dirige ao leitor. Cria-se a ilusão de que o livro não é artifício, como se a vida estivesse desfilando para leitores e leitoras.
Uma parte significativa dos romances que conhecemos opera dessa forma. Ainda hoje é uma forma segura de se contar uma história. Nada contra o tradicional, mas ainda bem que arte e inventividade caminham de mãos dadas. Sempre caminharam.
Nossa vida de leitores seria aborrecida se todos os escritores fossem pessoas medrosas e respeitadoras de leis seguras. Novas formas são maneiras ousadas de se encarar a vida. Não é de hoje que romances com formas exóticas deslumbram a todos nós. “Dom Quixote”, hoje símbolo do romance clássico, rompeu com inúmeras leis narrativas na época de sua publicação.
No Brasil, Machado de Assis, outro símbolo de literatura clássica, foi mestre da rebeldia. “Memórias póstumas de Brás Cubas” tem admiradores no mundo inteiro porque viola o que é convencional a cada página. Algo de muito estranho está ocorrendo quando um narrador defunto decide contar sua vida.
As rupturas sempre fizeram parte da história da literatura, mas é possível notar que os séculos XX e XXI testemunharam desejos mais intensos de se contar uma história de forma mais arrojada. Um mundo acelerado, fragmentado e instável pede narrativas instáveis. E foi assim que a literatura encarou a concorrência do rádio, do cinema, da televisão e da internet. Muitos romances fundamentais foram publicados a partir disso.
É por isso que não dá para acreditar nas pessoas que dizem que o romance morreu. É justamente o contrário. Ele continua firme e forte, mas com feições diferentes. Seria exaustivo listar grandes romances publicados nas últimas décadas, mas fiquemos com dois “Como ficar podre de rico na Ásia emergente”, de Mohsin Hamid, e “Arquivo das crianças perdidas”, de Valeria Luiselli. Dois livros que colocam o dedo na ferida de problemas contemporâneos: o primeiro, de forma caleidoscópica, trata das crianças de países pobres que tentam cruzar a fronteira dos EUA com o México. O segundo, recorrendo ao humor e à paródia, analisa a pobreza dos países subdesenvolvidos.

São belos exemplos de como a inquietação está no DNA da literatura.
Texto: Nelson Fonseca Neto, professor do Objetivo Sorocaba.

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