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Brasília produz cada vez mais literatura, graças a novos e antigos talentos

Neste 25 de julho, data escolhida para comemorar o Dia do Escritor, Brasília tem o privilégio de abrigar experientes e novos autores

Seja em um romance, seja em um drama, seja em um conto infantil, ler nos faz entrar em um outro mundo. E, por trás das páginas, há alguém que escolheu cada palavra e, de um jeito particular, se dedicou a contar aquela história. Nesta quinta-feira (25/7), essas pessoas são homenageadas no Dia Nacional do Escritor. E Brasília tem o privilégio de ser berço de vários deles. Cerca de 20 livros são lançados mensalmente na capital, segundo o Sindicato de Escritores do Distrito Federal. Os autores vão de profissionais experientes a jovens que estão escrevendo os primeiros capítulos de sua trajetória na literatura.
 
A estudante Mariana Negreiros, 16 anos, está produzindo o terceiro livro. Os títulos publicados fazem parte de uma trilogia que ela lançou quando tinha apenas 14 anos, com a obra Os segredos de um colar. “Gosto de escrever desde pequena. Quando tinha 7 anos, brincava de escrever peças de teatro”, conta a escritora. Ela diz que a paixão pela escrita veio de forma natural, mas não deixa de destacar o papel da família. “Minha mãe lia para mim toda noite. Era um momento muito especial. Isso abriu uma porta para o mundo da imaginação e possibilitou que eu escrevesse as minhas histórias”, comenta.
 
A mãe de Mariana, a designer de interiores Noeli Negreiros, 44, não esconde o orgulho da filha. “Sempre tive a intenção de formar grandes leitores, de fazer com que ela gostasse de livros, mas ela me surpreendeu e, além de ler, começou a escrever”, ressalta. Mariana também declarou à mãe que queria incentivar outras crianças a lerem e a escreverem. Noeli ajudou a filha a promover o projeto Segredos, no qual a jovem visita escolas e dá palestras falando sobre a arte de escrever.
Aos 16 anos, Mariana Negreiros está escrevendo o terceiro livro(foto: Rafael Lucyk/Divulgação.)
 

Sonhos

Caio César Mancin, 24, também começou cedo na literatura. A primeira tentativa foi aos 7 anos, mas com a falta de experiência, não conseguiu escrever uma quantidade de páginas suficientes para um livro. A realização veio aos 20 anos. “Tinha a mania de anotar os meus sonhos. Um dia, notei que o meu sonho tinha rendido uma história interessante e dali nasceu o primeiro capítulo do livro Imortalidade”, relata.
 
O livro foi publicado em 2014, de forma independente. Foram cerca de quatro anos de produção, período em que Caio contou com o apoio da família — o desenho da capa foi feito pela irmã, Eduarda Mancin.  “Foi um sonho. Lembro quando recebi o livro impresso e vi o meu nome na capa. Era a minha história ali. Foi emocionante. Chorei e até dormi abraçado com o livro”, diz.
 
Este ano, Caio lançou o segundo livro, Fui!. O terceiro está sendo escrito e deve ser lançado ainda este ano, em uma plataforma digital. Enquanto isso, o escritor garante que o quarto está em produção e dará continuidade a primeira história dele.
 

Mercado

O escritor e jornalista Marcos Linhares, 49, lançou o primeiro livro em 1995, e, hoje, acumula 12 títulos publicados. “Comecei a escrever motivado por dois professores, de português e de história. Depois de um tempo, nós, meninos, começamos à escrever poemas para as meninas. Meus colegas pararam e eu continuei”, lembra.
 
Marcos Linhares, 49, lançou o primeiro livro em 1995, e, hoje, acumula 12 títulos publicados(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Na juventude, Marcos encontrou nos livros uma forma de se entreter. “Vivia muito fechado e só tinha acesso às estantes de livros e à televisão. Sonhava que um dia eu ia ter os meus livros junto com aqueles na estante”, comenta.
 
Marcos não só conseguiu colocar seus livros na estante, como conquistou prêmios com eles. Um deles, Não Existe Crime Perfeito, que conta os bastidores de 14 crimes de Brasília, foi finalista do prêmio International Latino Book Awards. A conquista maior veio em 2016, com o seu primeiro livro infantil, o Faço, separo, transformo, em parceria com Marcelo Capucci e Talita Nozomi.
 
Hoje, Marcos preside o Sindicato dos Escritores do DF e conhece bem as dificuldades de ser um escritor em Brasília. “É um desafio como no resto do país. Somos um reflexo da política nacional”, afirma. Ele reclama da falta de oportunidades de distribuição dos títulos produzidos e pouco incentivo à literatura na capital.
 
Correio Braziliense

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