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Exposição Universo Gráfico de Candido Portinari (1903-1962) cartografa processo artístico do maior pintor do modernismo brasileiro

Cândido Portinari, artista plástico brasileiro
Cândido Portinari, artista plástico brasileiro (Foto: Projeto Portinari/ Divulgação)
"Nenhum pintor pintou mais um País do que Portinari pintou o seu", assegurou o crítico de arte Israel Pedrosa em 1983. Nascido em 30 de dezembro de 1903, numa fazenda de café localizada no interior paulista de Brodowski, o artista plástico Candido Portinari cartografou o Brasil do século XX entre pincéis e nanquins — o modernista apresentou lavradores de café, lavadeiras, músicos, garimpeiros, cangaceiros, retirantes, baianas, negros e índios aos salões internacionais; um retrato crítico de uma sociedade fruto da miscigenação. Comunista aguerrido, Portinari defendeu o compromisso social de seu ofício ao longo dos 58 anos de vida e mais de 5 mil obras produzidas: "Estou com os que acham que não há arte neutra".
Parceria de 40 anos entre a Pinakotheke e o Projeto Portinari, a exposição Universo Gráfico de Candido Portinari (1903-1962) será apresentada ao público do Ceará na Galeria Multiarte a partir desta sexta-feira, 5. Gratuita, a mostra é um raro retrato da trajetória criativa do artista brasileiro de maior projeção internacional — são 50 obras entre pinturas, desenhos e monotipia. "Mais que oportuno, fazer essa exposição é uma homenagem a Portinari", pontua o experiente marchand Max Perlingeiro, também proprietário das duas Galerias Pinakotheke, em São Paulo e Rio de Janeiro, e da Multiarte em Fortaleza. "Na mostra, nós beneficiamos o suporte de papel e multiplicamos técnicas e processos de Portinari: temos grafite, nanquim, nanquim-pincel, pochoir, monotipia, óleo, aquarela, carvão... É uma quantidade muito grande de técnicas e, com isso, apresentamos o verdadeiro processo criativo do artista", continua.
Além de Perlingeiro, a mostra conta com a cuidadosa curadoria de João Cândido Portinari, filho único do artista e diretor da Associação Cultural Candido Portinari e do Projeto Portinari — presença ilustre na noite de abertura da exposição em Fortaleza, 4. "Nem todos sabem disso, mas Portinari foi um tremendo desenhista. Ele era um menino pobre que, já no Rio de Janeiro, se matriculou na Escola Nacional de Belas Artes com quase 16 anos. Ele aprendeu com grandes mestres e a obra gráfica é extraordinariamente reveladora do processo de criação dele. Meu pai, para citar um exemplo, fez mais de 200 estudos durante quatro anos antes de chegar aos painéis propriamente ditos de Guerra e Paz (dois quadros produzidos pelo pintor entre 1952 e 1956, encomendados pelo governo brasileiro para presentear a sede da Organização das Nações Unidas em Nova York)", elucida João Candido.
Em cartaz até 27 de agosto, a mostra é dividida em núcleos temáticos: estudos para painéis; cenas de trabalho; ilustrações; crianças; retirantes; figura humana; cenas religiosas e Guerra e Paz. Para Perlingeiro, Portinari é um artista de uma ética profunda e ímpar — "Falar de um artista humanista é fundamental num momento tão difícil, onde o ser humano está relegado ao quinto plano. A arte sempre foi uma caixa de ressonância muito grande: os artistas colocam o dedo na ferida de uma forma bastante acentuada. Portinari era um humanista. Ele vem de origem muito humilde, de uma família de imigrantes italianos. Quando ele volta ao Brasil, após ganhar uma bolsa para estudar fora, o modernismo estava fervilhando. Mario de Andrade fala: 'Uma das maiores promessas do Salão Modernista é o jovem Portinari'. O Ceará merece essa mostra", encerra.
Clique na imagem para abrir a galeria

Exposição Universo Gráfico de Candido Portinari (1903-1962)

Quando: abertura amanhã, 4, às 20h30min. Em exposição até 27 de agosto. Visitação de segunda a sexta-feira, das 10h às 18 horas
Onde: Multiarte (rua Barbosa de Freitas, 1727 - Aldeota)
Telefone: (85) 3261 7724
Gratuito
BRUNA FORTE
o povo

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