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Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas

Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas.
Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem das prateleiras e peregrinem outras estradas mantém diálogo com algo profundo: a paixão alimentada pelo idealizador do projeto junto à literatura.
Economista por formação e com passagem pela vida pública do Ceará, Gonzaga afirma que, apesar das funções técnicas as quais cumpriu durante boa parte da vida, recorria com frequência aos títulos de ficção para prosseguir o caminhar.


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Acervo de Gonzaga Mota inclui livros assinados por nomes clássicos da literatura cearense, além de obras de amigos e de autoria própria. Foto: Kid Júnior

"Sempre gostei de ler. Comecei a ensinar aos 16 anos e lia muito, primeiramente obras infanto-juvenis e depois de uma literatura mais avançada. Aprecio muito o que escreveram os franceses e os ingleses, por exemplo, e considero que somos riquíssimos em nossas letras", avalia, citando nomes como Machado de Assis, Graciliano Ramos, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Adélia Prado, entre outros, como inspiração diária. Criadores e criadoras de prosas e versos para fazer refletir e atuar.
Mas é quando fixa a fala em José de Alencar (1829-1877) e Rachel de Queiroz (1910-2003), dois dos grandes do nosso chão, que ele destaca o porquê de ter iniciado a ação de doar e vender livros de escritores daqui.
"Via que o autor cearense não tinha oportunidade de expor as obras. E eles me pediam para que eu as expusesse. Resolvi colocar, de início, uma livraria do escritor cearense, que, na verdade, é uma estante que hoje tem mais de 300 escritores do Ceará".
Movimento
Entre montar o espaço para acomodar os exemplares e iniciar atividades visando a difusão da literatura, Gonzaga Mota conta que o processo foi rápido. Já em 2017, realizou saraus, um concurso literário e participou de feiras. Esta última atividade, por sinal, empreende ainda hoje, e pretende retomar as demais.
300
é o número aproximado de autores e autoras cearenses contemplados nas estantes de livros de Gonzaga Mota. Em franco diálogo com a tradição e a contemporaneidade, diferentes nomes integram o panorama, promovendo novas perspectivas de apreciação das letras de nosso chão
Até lá, pretende contornar o maior número possível de escolas públicas da Capital e do interior cearense deixando livros novos, e apenas novos. "É uma questão de honra minha: não doar livros velhos", salienta. Para isso, conta com a parceria de amigos e de duas editoras, em específico: Imeph e Premius.


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Atividades como saraus, concurso literário e participação em feiras devem voltar a acontecer em breve sob o comando de Gonzaga Mota. Foto: Kid Júnior

Em cálculo rápido, a quantidade de lares educacionais visitados é positiva e reflete itinerância constante. Em Fortaleza, 16 deles já receberam entrega do material; no interior, quatro escolas foram contempladas, dos municípios de Itapiúna, Eusébio e Camocim. A logística para escolha dos locais a serem visitados acontece a partir de seleção feita pelo próprio Gonzaga e/ou por meio de solicitação dos colégios.
"Então, esse é o meu trabalho. Simples, solitário, mas apaixonante. Porque eu vejo que a cultura e a educação são tudo para que se tenha um povo com melhor qualidade de vida, em que um possa respeitar o outro. Me sinto, apesar de não ter nenhuma remuneração e apoio público, com vontade imensa de sempre continuar. Até onde Deus me dê força. Porque educar é nobre", resume o escritor.
Avaliação
Cerca de 30 livros são deixados em cada instituição. O intuito, conforme Gonzaga, além de ajudar a encorpar bibliotecas já existentes ou ajudar a criar uma, é avaliar a forma como as obras estão sendo utilizadas, tendo em vista que a escolha por contemplar títulos infantojuvenis para doação tem princípio particular.
"Quando chego com os exemplares, penso que aquela semente vai germinar. Outros livros virão, outros doadores aparecerão. E creio que falta à nossa juventude, principalmente na faixa dos 7 aos 15 anos, a leitura. Hoje todo mundo sabe pegar o celular e ficar durante horas. Tudo bem, nada contra, mas não é só isso. Você tem que pegar um livro e ler, interpretar e fazer com que aquilo possa servir de subsídio".


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Paixão pelas letras traduz-se em inspirado trabalho feito pelo professor e escritor. Foto: Kid Júnior

Talvez para que se concretize um dos muitos sonhos desse semeador incansável das letras. De, a partir do mergulho nas palavras feito por pequenos e pequenas, venham novos "Alencares" e novas "Racheis". Altas vozes a reverberar talento e inspiração. "Acho que o importante é deixar um legado. Daqui a 30 anos, talvez alguém se lembre: 'Teve um cara que passou aqui, deixou meia dúzia de livros e as crianças leram. Hoje um é médico, outro é advogado, engenheiro, professor'. É a minha vida".

Serviço
Doação de livros para projeto do escritor e professor Gonzaga Mota
Interessados em doar ou solicitar obras podem se dirigir ao gabinete do profissional, localizado na Rua Beni Carvalho, 159, Sala 104, Aldeota. Contato: (85) 3224-2004. E-mail: luizgmota@yahoo.com.br

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