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Balada Literária ocupa São Paulo em edição que homenageia Paulo Freire

Evento vai reunir importantes nomes da literatura brasileira em uma festa que presta homenagem ao educador; também estão previstos lançamentos de livros

Por Estadão Conteúdo

Livraria
Literatura: evento literário começa em São Paulo nesta quarta (Demaerre/Getty Images)
São Paulo — A 14ª Balada Literária começa nesta quarta-feira, 4, em São Paulo, e vai reunir, até domingo, dia 8, em espaços como a Livraria da Vila, Casa de Francisca e Biblioteca Mário de Andrade, importantes nomes da literatura brasileira em uma festa que presta homenagem ao educador Paulo Freire. Lançamentos de livros também estão planejados.
Entre os convidados da Balada Literária 2019 estão nomes próximos a Freire, como Nita Freira, que conversou com a reportagem sobre os ataques que as ideias de seu marido estão sofrendo, e a filha Madalena Freire, além de escritores como Valter Hugo Mãe, que vai falar com leitores na Vila Perus, Reinaldo Moraes, Chacal, Roberta Estrela D’Alva, Ricardo Aleixo, Amara Moira, Bruno Brum, Paulo Lins, Rodrigo Ciríaco, Luiz Tatit, José Miguel Wisnik, Fausto Fawcett, Andréa Del Fuego, Marcelo Rubens Paiva e muitos outros.
Há novidades nesta edição destinada a pensar mais a educação. “Estou feliz de ter na abertura de cada atração um mediador ou mediadora de leitura vindo de várias partes do Brasil. São parceiros de comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas. Nada mais Paulo Freire do que a presença desses guerreiros que incentivam a leitura e a literatura em lugares muito distantes”, comenta o escritor Marcelino Freire, idealizador e curador da Balada Literária.
Marcelino Freire conta que criou a Balada Literária porque “a literatura é coisa muito chata”. Ele explica: “Eu queria fazer uma festa diferente. E uma festa verdadeiramente para todos e todas. Desde o primeiro ano, em 2006, a Balada Literária reúne todos os gêneros, sexuais e literários. Todas as vertentes, todos os parágrafos. Eu sou baladeiro, boêmio por natureza. Queria fazer uma festa entre amigos e amigas. Surgiu assim: dessa vontade de festejar uma literatura sem frescura”, disse.
O escritor conta que sempre quer desistir quando a festa acaba e as contas começam a chegar. Ainda está devendo dinheiro da edição passada. “É uma luta grande, mas sinto que a Balada já não me pertence. É um compromisso com a literatura. Ela vai além de mim. E agora então, eu tenho mais é que fazer. Se o Brasil está desistindo, eu não desisto nunca.”
Sobre a homenagem a Paulo Freire, ele diz que queria que a Balada Literária 2019 fosse de afirmação do legado, da importância, do respeito à obra de Paulo Freire num momento de “artilharia pesada”. “É uma Balada política. E eu me orgulho de dizer de que lado que nós estamos. Estamos ao lado da educação, dos mestres, das mestras. Uma pessoa veio dizer para mim ‘mas você homenageando Paulo Freire aí é que não vai ter apoio’. Mas não me interessa apoio de quem não apoia Paulo Freire. A Balada Literária não é feita com escritório de captação. Escritório de captação é que tem medo de bancar o diferente. Porque no fundo os escritórios acreditam em números, não acreditam em pessoas. Meu escritório é o de capturação. Vou capturando pessoas, corações. Vou pedindo mesmo. A Balada é feita com paixão”, finalizou.
Exame/Abril

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