Marielle Franco e outros ativistas do Brasil são indicados ao Prêmio Sakharov

Prêmio foi criado em 1998 em homenagem ao cientista soviético dissidente Andrei Sakharov e reconhece os defensores dos direitos humanos e da liberdade de consciência.
Grafite representando a vereadora brasileira Marielle Franco, perto do local onde ela foi assassinada no Rio de Janeiro.
Grafite representando a vereadora brasileira Marielle Franco, perto do local onde ela foi assassinada no Rio de Janeiro. (AFP)

A vereadora assassinada Marielle Franco, o líder indígena Raoni e o opositor russo Alexei Navalny estão entre os candidatos ao Prêmio Sakharov 2019 da Eurocâmara - anunciaram diversos grupos políticos.
A Eurocâmara revelou, nessa quinta-feira (19), a lista de aspirantes ao prêmio, criado em 1998 em homenagem ao cientista soviético dissidente Andrei Sakharov e que reconhece os defensores dos direitos humanos e da liberdade de consciência.
Na primeira edição do prêmio após as eleições para a Eurocâmara de maio que resultaram em um Parlamento mais fragmentado, os nomes revelados pelas bancadas concentram o foco no Brasil, assim como na China, na Rússia e no Quênia. A candidatura que aparece com mais força é a defendida pelos grupos de esquerda da Casa.
Os socialdemocratas e a bancada de esquerda radical apresentaram as candidaturas de três ativistas do Brasil: o líder indígena Raoni, a vereadora carioca Marielle Franco, assassinada em 2018 ao lado do motorista Anderson Gomes, e a ativista Claudelice Silva dos Santos.
Para a esquerda radical, que confirmou a candidatura dos três ativistas, "Marielle Franco, Claudelice Silva dos Santos e o líder Raoni são símbolos de resistência contra as violações dos direitos humanos no Brasil".
"Desde que o novo regime assumiu o poder em janeiro, o governo de [Jair] Bolsonaro estabeleceu um clima de temor para vários defensores dos direitos humanos", afirmou em um comunicado a eurodeputada socialdemocrata Kati Piri.
Marielle Franco também aparece na proposta de candidatura da bancada ecologista, ao lado do ex-deputado federal Jean Wyllys, que decidiu este ano deixar o Brasil e morar na Europa diante do número crescente de ameaças por sua luta pelos direitos LGTBI.
O Brasil também era a opção do eurodeputado esquerdista francês Emmanuel Maurel, que ficou muito perto de conseguir os 40 votos de parlamentares necessários para seu candidato: o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
"Lula se ajustava completamente ao espírito do Prêmio Sakharov", disse Maurel, destacando o contexto no Brasil, "sua exemplar ação política" e "sua situação atual, na qual foi vítima de uma conspiração política".
Já o Partido Popular Europeu (PPE, direita) propôs o nome de Navalny, opositor ao presidente russo Vladimir Putin, um ano depois de o prêmio ter sido concedido ao diretor de cinema ucraniano Oleg Sentsov. O cineasta foi solto recentemente, após cinco anos de prisão na Rússia.
Os liberais apresentaram a candidatura do intelectual uigur Ilham Tohti, condenado à prisão perpétua na China, enquanto o grupo Conservadores e Reformistas Europeus (CRE) indicou cinco adolescentes do Quênia que criaram um aplicativo que ajuda meninas vítimas de mutilação genital.
Desde 1988, a Eurocâmara concedeu o prêmio, dotado com 50 mil euros (cerca de R$ 229 mil), a algumas associações e a personalidades como Nelson Mandela (1988), Malala Youfsafzai (2013), ou Aung San Suu Kyi (1990).
Em 2017, opositores venezuelanos receberam o prêmio, a quinta ocasião em que o Sakharov foi concedido à América Latina, depois das Mães da Praça de Maio (Argentina, 1992) e dos dissidentes cubanos Guillermo Fariñas (2010), a associação Damas de Branco (2005) e Oswaldo Payá (2002).
A Eurocâmara anunciará em 8 de outubro os finalistas do prêmio Sakharov, cujo vencedor será revelado no dia 24 do mesmo mês.

AFP

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