Pular para o conteúdo principal

Os limites estão nas situações culturais que nos envolvem, diz educador social

Alex Duarte aposta que pessoas com síndrome de Down devem tomar decisões e assumir protagonismo de suas próprias vidas. Empreendedor faz palestra no Congresso do Conhecimento nesta sexta-feira na Dom Helder.
Cena do filme 'Cromossomo 21'.
Cena do filme 'Cromossomo 21'. (Divulgação)

Por Cássia Maia
Repórter Dom Total
Viver uma vida com mais autonomia e independência são metas alcançáveis para as pessoas com deficiência. É o que mostra os resultados da Expedição 21, uma espécie de reality show que promoveu uma imersão de 18 pessoas com síndrome de Down, com idades entre 20 à 51 anos, sob a direção do educador social Alex Duarte.
Graduado em Comunicação Social, empreendedor social e diretor do filme e projeto Cromossomo 21, Alex é um dos palestrantes do 2º Congresso do Conhecimento – Empreendedorismo e inovação, promovido pela Dom Helder Escola de Direito e EMGE – Escola de Engenharia. O congresso vai debater questões como empreendedorismo de carreira, programação neurolinguística, empreendedorismo social, inteligência artificial, entre outros temas com palestras e oficinas. O evento será realizado de 11 à 14 de setembro.
Com o tema "Como empoderar pessoas com deficiência", a palestra de Alex trabalhará o empoderamento pessoal, como lidar com as diferenças e enxergar a deficiência como algo que alavanca as oportunidades e jamais segrega as pessoas, mostrando técnicas que foram apresentadas na Expedição 21, sobre como transformar limitações em auto-independente e ver a deficiência e a inclusão como algo positivo.
“Precisamos pensar que toda pessoa com e sem deficiência é um ser único e cada um de nós responde pelo aprendizado de forma diferente. O que eu posso aprender talvez o outro não aprenda, assim também é para as pessoas com deficiência. O que muitas vezes acontece é que se culpa a deficiência pela falta”, afirma Alex.
Na contramão dos discursos que insistem em procurar explicações biológicas, catalogar sintomas e comportamentos padrão para pessoas que tenham em comum diagnósticos e categorias, Alex Duarte nos proporciona pensar que os limites estão nas situações culturais que nos envolvem e que muitas vezes atribuem a características orgânicas o caráter do não aprender.
“Se a gente for pensar, pessoas com síndrome de Down vão passar por todos os estágios da vida, assim como nós. Elas nascem, crescem, amadurecem e envelhecem. Porém, muitos se estacionam na infância por uma série de questões e imposições da sociedade e, às vezes, da própria família que superprotege. Muitas vezes, os próprios pais não falam do seu filho pela farta, pelo que ele é de melhor, falam sempre pela falta: ‘ele não aprende a ler da mesma forma que fulano’, ‘ele não fala direito como beltrano’. É preciso mudar a forma como a gente se comunica e a melhor maneira de fazer isso é empoderando pessoas com deficiência para que elas reconheçam o seu poder”, diz Alex, alertando que o primeiro passo é o protagonismo. "Fazer com que essas pessoas se sintam protagonistas da sua vida, que as vidas delas não sejam dirigidas por outra pessoa e que eles tenham o poder de decisão".
Uma experiência disso foi o documentário Expedição 21, dirigido pelo próprio palestrante. Ele conta que o projeto foi, na verdade, um treinamento para que essas pessoas com deficiência pudessem se conhecer como capazes e tomar suas próprias decisões. “Quando a gente realizou a Expedição 21, primeiro eu vi que essas pessoas vivem em um ambiente muito segregador. No portão da escola, elas não têm amigos, amigos de verdade, amigos sem deficiência que os convidam pra sair. Então, na expedição a gente simulou uma sociedade completamente inclusiva, que apostava sempre no potencial dessa pessoa e não na deficiência. Segundo, tiramos elas do ambiente, muitas vezes, superprotetor da família. Na casa, eles não tinham ninguém para protegê-los, eles eram adultos que tinham, em todo momento, que participar de vários desafios e tarefas em que tinham que tomar suas próprias decisões. Parece simples, mas se sempre tem alguém para fazer por você, como vai aprender?”.

Redação DomTotal

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…