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Crônica: Reflexão dos símbolos natalinos

Jesus foi criado sem usar internet, rádio ou televisão. Nunca se vacinou e chegou aos 33 anos sem fazer biometria, sem usar cartão de crédito e sem viajar à Disney

Os principais símbolos natalinos vêm marcados pelo número três. Começa que pode ser comemorado, de forma triádica, pela manhã, à tarde ou à noite, por homem, mulher e criança, com fé, esperança e caridade. Uma boa oração nessa ocasião faz bem, e pode ser feita de joelhos, sentado ou em pé. Não se deve esquecer do nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Tudo, no entanto, deve se iniciar com a Sagrada Família: Jesus, Maria e José. Ao festejar o nascimento da divina criança, convidar os três reis magos, que, segundo Mateus, eram: o persa Melquior, o indiano Gaspar e o árabe Baltazar que presentearam ao recém-nascido, ouro, incenso e mirra.
Deles, surgiu a tradição de bem presentear. De referência a três pessoas: um familiar, um amigo e um estranho necessitado. A tradição diz que em busca do presépio vieram três pastores. Eram judeus que no campo viram um anjo que lhes indicou o rumo de Belém onde uma criança muito poderosa acabava de nascer. Chegando lá encontraram a Sagrada Família, os reis magos e três plantas: uma oliveira, uma tamareira e um pinheiro. O pinheiro verificou que só ele não produzia frutos. Apelou para o Criador que lhe enviou uma estrela, uma lua amarela e um sol nascente.
Jesus foi criado sem usar internet, rádio ou televisão. Nunca se vacinou e chegou aos 33 anos sem fazer biometria, sem usar cartão de crédito e sem viajar à Disney. Não precisou ir ao cinema, não andou de roda-gigante, nem tirou carteira de identidade. Viveu com Maria e José e mais ninguém de babá. Brincava com seu primo João, brincadeiras de criança sem usar tablet, smartfone nem computador.
Falava o aramaico, lá a fala deles, e não precisou estudar inglês, nem francês nem mandarim. Foi criança, adolescente e rapaz sem torcer por time algum, sem pertencer à facção nem à torcida organizada.
Aos 30 anos, nas bodas de Canaã, fez seu primeiro grande milagre, multiplicando pães e transformando água em vinho e reanimou a festa. Aos 33, começou sua via sacra. Foi vendido por 30 dinheiros, viu Pedro lhe negar três vezes, às três da madrugada, e foi crucificado ao lado de dois ladrões, ficando as três cruzes perfiladas no alto do Calvário.
Às três da tarde, deu-se a agonia do corpo. No terceiro dia ressuscitou e depois transfigurou-se ao lado de Elias e Moisés formando um trio no monte Tabor, espargindo luz incandescente. Interessante é que o nascimento ficou no fim do ano, e a morte no começo para provar que a morte é apenas o começo de uma passagem para uma vida maior.
Natal é cognato de nascer. Nascer e renascer é algo que pode acontecer em qualquer dia. Foi-lhe, no entanto, dada uma data fixa. E há uma fraternidade que se manifesta maior nesse dia. Cristo nasceu para ser Rei, Sacerdote e Profeta. Todo ano consegue o milagre de transformar as pessoas por algumas horas. Vamos, no entanto, alongar esse Natal anual em mensal, em diário. Vamos presentear sorrisos, apertos de mão e abraços. Que os sinos toquem hoje, amanhã e depois.
Com tantos anos de sobrevivência dessa tradição natalina, que o momento seja de renovação. É preciso refletir para se saber qual a melhor forma de se renovar. Renovar costumes e práticas dentro da ética, da moral e da devoção. Refletir antes de escolher o caminho a trilhar. É preciso fazer com que o Natal perdure pelo ano inteiro nesse clima de fraternidade. É preciso fazer com que todo dia seja dia de nascimento de novas formas de viver. Que a grande árvore da vida seja enfeitada pelas virtudes e que o exemplo do Cristo Jesus permaneça em vigor no gênero humano per omnia saecula saeculorum, amém.

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