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Globo de Ouro defende a tela grande para o cinema

A premiação foi mais um capítulo da queda de braço entre as plataformas de streaming e os estúdios tradicionais


Diretor Sam Mendes discursando após '1917' receber o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático
Diretor Sam Mendes discursando após '1917' receber o Globo de Ouro de Melhor Filme Dramático (Getty Images)
Se há algum sentido na premiação do Globo de Ouro 2020, é esse: os correspondentes estrangeiros de Hollywood defendem a tela grande para o cinema. Não há outro jeito de entender a rejeição final à Netflix, plataforma de streaming que entrou com 34 indicações e saiu com apenas dois prêmios. A premiação de domingo foi mais um capítulo da queda de braço entre as plataformas de streaming, em especial a Netflix, e os estúdios tradicionais. O combate deve se estender pelos próximos anos, com os estúdios lançando suas próprias plataformas, como fez a Disney. Estende-se também aos festivais de cinemas, dividindo opiniões entre cineastas, curadores e críticos.
O Festival de Cannes não aceita produtos em streaming. Seu concorrente, a Mostra de Veneza, passou a aceitar. Em 2018, deu seu maior prêmio, o Leão de Ouro, a um produto Netflix, Roma, do mexicano Alfonso Cuarón. Este concorreu ao Oscar, rendeu a estatueta de direção ao cineasta, mas não venceu na categoria principal.
Este ano, a Netflix dobrou a aposta e investiu em mais títulos de alto nível artístico, como O IrlandêsHistória de um Casamento e Dois Papas. Deseja impor seu modelo de negócio e, para isso, prêmios são importantes porque dão prestígio e prestígio significa poder.
Nesse sentido, a premiação do Globo de Ouro foi uma ducha de água gelada. A derrota maior foi a de O Irlandês, grande filme de Martin Scorsese, totalmente ignorado na premiação. Em seguida História de um Casamento, de Noah Baumbach, que ficou apenas com uma estatueta de coadjuvante para Laura Dern, no papel de uma advogada implacável. Dois Papas, de Fernando Meirelles, também saiu de mãos abanando e isso com dois monstros sagrados no elenco, Anthony Hopkins e Jonathan Pryce.
Tarantino ganhou como melhor filme de comédia por seu Era uma Vez em... Hollywood. Ok, mas há que se levar em conta que essa ficção histórica em torno da Nova Hollywood e dos crimes de Charles Mason não é propriamente uma comédia. Venceu ainda nas categorias de roteiro e coadjuvante para Brad Pitt.
Sam Mendes foi o grande vencedor em drama por seu 1917, história da 1ª Guerra Mundial feita num falso plano-sequência único. Também levou o troféu de melhor diretor. Seu agradecimento foi um tiro de misericórdia nos derrotados: "Espero que meu filme seja visto na tela grande, pois para isso foi feito".
Ninguém precisava dizer mais nada para resumir o que foi a noite numa cerimônia tediosa, chata, longa e cheia de intervalos comerciais: TV é TV e cinema é cinema. E este se vê, em primeiro lugar, numa tela grande e sala escura. Depois, pode ir para outros suportes. Mas só depois. Foi o recado dos votantes do Globo de Ouro. A pergunta que fica é como se comportarão os produtos Netflix daqui a um mês e pouco no Oscar, que é a prova dos noves da indústria.

Agência Estado

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