Pular para o conteúdo principal

Para especialistas, novas gerações reescrevem o sentido da troca de cartas

Para especialista a escrita, embora tenha destinatário, também é um processo pessoal


“Sempre que se traz para o presente uma coisa típica de determinada época é porque, no presente, isso está fazendo sentido”, aponta Lilian Torres
“Sempre que se traz para o presente uma coisa típica de determinada época é porque, no presente, isso está fazendo sentido”, aponta Lilian Torres (Pixabay)
Com a chegada de meios de comunicação mais eficientes, a troca de correspondência ganhou novos significados ao longo das décadas. Escrever cartas se tornou um hobby, um trabalho manual ou até uma forma de experimentação social - especialmente entre as gerações que adotam a prática pela primeira vez.
“Sempre que se traz para o presente uma coisa típica de determinada época é porque, no presente, isso está fazendo sentido”, aponta Lilian Torres, professora de Antropologia da Faap. “Não é uma sobrevivência do passado pura e simplesmente. É algo que informa, comunica um estilo de vida, um valor, crenças, e faz sentido neste momento para essas pessoas. Não é meramente sobrevivência do passado, tem uma função no agora.”
A especialista comenta que a carta tem algumas características antagônicas aos meios de comunicação tecnológicos (como telefone e-mail e afins), por não ser instantânea e precisar ser postada. “Demanda mais tempo, relação com muitos intermediários. A carta tem essa relação muito física, fazendo escolhas de papel de caneta, de envelope, de adesivos, de cores.” Outro aspecto ressaltado pela professora é que a escrita, embora tenha destinatário, também é um processo pessoal. “Envolve um contato mais íntimo com o seu gosto, interesse, é um tempo que a pessoa vai mergulhar em si, naquilo que vai compor a mensagem, que é um dado de intimidade, mais personalizado, individualizado.”
“A carta se contrapõe à instantaneidade do online, que tem respostas curtas. Se demoram a responder, causa uma frustração”, comenta ela. “Na carta, com os trabalhos manuais, a pessoa tem ali um sinal de personalização, se distingue naquele trabalho, é uma forma de distinção da pessoa.”
Professor de Sociologia da Universidade Mackenzie, Rogério Baptistini comenta também sobre diferenças entre os meios de comunicação. “A comunicação instantânea é mais fugaz, a leitura menos ansiosa e detalhada”, compara. “Se escreve sobre assuntos banais do cotidiano, a reflexão se perde no decorrer do dia.”
“A comunicação hoje por WhatsApp e aplicativos instantâneos aparentemente nos aproxima, mas mais parece uma ordem comercial de um departamento para outro e fica esquecida no turbilhão de mensagens que preenchem o dia a dia”, completa o professor.
Sociabilidade
Para ele, o interesse de gerações mais jovens por cartas segue uma tendência de parte dessa população, que está “virando as costas para o uso indiscriminado das redes sociais, com a busca de normais mais verdadeiras de sociabilidade”. “É um fenômeno de busca de interação de uma forma mais autêntica.”

Agência Estado

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Corpo do Jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na terça-feira

Vinícius Lisboa - Repórter da Agência Brasil* O corpo do jornalista Carlos Heitor Cony deve ser cremado na próxima terça-feira (9), no Memorial do Carmo, segundo a Academia Brasileira de Letras (ABL), respeitando o desejo do imortal. Cony morreu ontem (6), aos 91 anos, vítima de falência múltipla dos órgãos após dez dias de internação. Segundo a ABL, como a morte ocorreu em um fim de semana, procedimentos jurídicos e administrativos terão que ser resolvidos nesta segunda-feira (8). Após a cremação, suas cinzas devem ser lançadas em um local que remete a sua infância. Também a pedido do jornalista, seu corpo não foi velado na sede da academia. A amiga e também jornalista Rosa Canha disse que Cony desejava uma cerimônia íntima. "Ele não queria velório, não queria missas nem nenhum tipo de homenagens. Ele pediu muito que fosse uma cerimônia apenas para a família".  Saiba MaisTemer lamenta morte do jornalista Carlos Heitor Cony Carlos Heitor Cony nasceu no Rio em 14 de março de 1926.…

Participe da Coletânea "100 Poetas e 100 Sonetos"

O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade está selecionando 100 poetas para compor a Coletânea “100 Poetas e 100 Sonetos”. Os sonetos são de tema livre e devem ser metrificados em qualquer tamanho ou estilo, rimados ou não. 

Não haverá taxa de inscrição e nem obrigatoriedade de aquisição do livro pelos participantes, que em contrapartida cedem seus direitos autorais. 

A data e local do lançamento da coletânea serão definidos posteriormente. 

Para participar, envie o seu soneto para o email ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo formulário até 10/07/2019 com uma breve biografia.

Por https://institutohoraciodidimo.org/2019/06/11/coletanea-100-poetas-e-100-sonetos/

Projeto do escritor e professor cearense Gonzaga Mota doa livros para escolas públicas da Capital e do interior

Por Diego Barbosa,  Com a ação, Gonzaga Mota já circulou por 20 instituições, ora aumentando acervos, ora criando novas mini-bibliotecas Com facilidade, a porta em que está cravada a placa "Livros de escritores cearenses" escancara-se em nova visão. Do outro lado do anteparo, o olhar mira num aconchegante espaço, onde repousam, organizadas e coloridas, obras de toda ordem. São títulos tradicionais e contemporâneos, exemplares de poesias, contos, crônicas, romances. Em comum a todos eles, o DNA nosso: possuem assinatura de cearenses. E querem ganhar mais mundos, outras trilhas. Mantido pelo escritor e professor Gonzaga Mota, o gabinete da descrição acima é recanto de possibilidades. Desde o começo deste ano, o profissional mantém um projeto de doação de livros para escolas públicas de Fortaleza e do interior, almejando estender o raio de alcance da leitura, especialmente entre crianças e jovens. A vontade de fazer com que os volumes saltem da…