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Coletivo de mulheres profissionais do livro escreve carta aberta à Câmara Brasileira do Livro

Coletivo Virginia, que reúne 213 mulheres profissionais do livro, pede providências à CBL e afastamento de Pedro Almeida do cargo de presidente do Conselho Curador do Prêmio Jabuti
Pela memória de Sérgio Sant’Anna -- ganhador não de apenas um, mas de quatro prêmios Jabuti -- e de outros grandes expoentes do mercado editorial, como Fernando Py, Olga Savary, Aldir Blanc, personificando aqui, em conjunto, as 24.512 vidas brasileiras ceifadas pelo novo coronavírus (Covid-19), chamamos a Câmara Brasileira do Livro (CBL) a reavaliar sua postura diante das declarações levianas e desumanas emitidas pelo atual presidente do Conselho Curador do Prêmio Jabuti em suas redes sociais.
A CBL e o Prêmio Jabuti são instituições consagradas do mercado editorial, respeitadas por sua longa história. Razão pela qual não se pode admitir que seus atuais gestores se furtem, neste momento crítico, à responsabilidade de dar uma resposta à altura do prestígio e da importância simbólica de que desfrutam no meio cultural brasileiro.
Após toda a repercussão do caso nas mídias e nove mil assinaturas em um manifesto, não será com uma nota, tímida em seu teor e inócua em ações, que a CBL salvará o Prêmio Jabuti e sua reputação. Sobretudo pelo momento sombrio que atravessamos, em que Arte, Educação, Cultura e Ciência são atacados, desqualificados e severamente diminuídos pelo governo obscurantista e negacionista em exercício no país.
Como terá legitimidade a CBL para atuar em prol de seus associados, cuja matéria-prima se compõe essencialmente de Arte, Educação, Cultura e Ciência, quando mantém, como presidente do Conselho Curador de sua principal premiação alguém que demonstra cabalmente ser despreparado para ocupar posição de tamanha responsabilidade e complexidade?
Em defesa de suas convicções pessoais, o atual ocupante da posição não titubeou em lançar mão de informações e dados incorretos e comprovadamente falsos com o objetivo de - pasmem-se! - lançar dúvidas a respeito da letalidade de uma doença que não para de fazer vítimas fatais em nível mundial, perdendo, assim, a legitimidade moral necessária para ocupar o cargo.
Na destrambelhada tentativa de justificar-se, em um primeiro momento, o presidente do Conselho Curador tenta desqualificar os que se sentiram ofendidos por suas declarações, contra argumentando serem ressentidos que tiveram originais recusados por sua editora, o que coloca sob suspeição a neutralidade na condução do prêmio. Meros equívocos ou práxis?
Em quaisquer dos casos, claro está que o prestígio e legitimidade do Prêmio Jabuti está em risco, pois tais atitudes, por si só, demonstram que tal pessoa não tem estatura moral ou intelectual para estar à frente da curadoria do que quer que seja, muito menos de uma premiação dessa relevância. Não bastasse o fato de ser o presidente do Conselho Curador, ele também é dono de uma editora, o que causa grande estranhamento e é bastante questionável.
Assim, o Coletivo Virginia, composto por 213 mulheres que atuam no mercado editorial, ocupando as mais variadas posições - autoras, editoras, designers, tradutoras, produtoras gráficas, ilustradoras, preparadoras, revisoras, administradoras, profissionais das áreas comercial e de marketing, jornalistas, bem como proprietárias de casas editoriais - junta sua voz às de tantos outros grupos que também já manifestaram repúdio à permanência do atual presidente do Conselho Curador do Prêmio Jabuti.
Uma atitude íntegra de sua parte seria renunciar imediatamente ao cargo em vez de apresentar uma retratação em que não se conjuga o verbo “desculpar” sequer uma vez. Não nos resta, portanto, senão recorrer à sensibilidade e à responsabilidade da CBL diante desse desastroso episódio que atingiu a todo o mercado.

* Inspiradas no texto Um teto todo seu, de Virginia Woolf, 213 mulheres que atuam no mercado editorial formaram o Coletivo Virginia. São autoras, editoras, designers, tradutoras, produtoras gráficas, ilustradoras, preparadoras, revisoras, administradoras, profissionais das áreas comercial e de marketing, jornalistas e proprietárias de casas editoriais que empunham várias bandeiras relacionadas à condição das mulheres no segmento editorial brasileiro.
** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do PublishNews.

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