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Líder indígena Ailton Krenak participa, nesta terça-feira (5), do projeto Lives do Conhecimento

Iniciativa, realizada pela Universidade de Fortaleza, acontece a partir das 10h nas redes sociais da instituição e na TV Unifor


Ailton Krenak é uma das mais importantes vozes do País no que toca à discussão socioambiental
Foto: Helene Santos
Cada povo constrói uma forma específica de diálogo com o mundo. No caso dos indígenas, é bem sabido que essa conversa ocorre de maneira ainda mais frontal, levando em conta, sobretudo, a necessidade de manter relações harmônicas com cada parte do universo, num necessário movimento de respeito e consciência. 
Assim, ouvir o que eles têm a dizer torna-se urgente, principalmente levando em conta o nebuloso período no qual atravessamos – capaz de expor, incisivamente, a forma como estávamos lidando com a natureza, nós mesmos e o outro.
É abraçando essa perspectiva que mais uma edição do projeto Lives do Conhecimento, iniciativa da Universidade de Fortaleza, acontece nesta terça-feira (5), às 10h, por meio das redes sociais da universidade e da TV Unifor.
A partir do tema “Meio ambiente e consumo em tempos de pandemia”, o bate-papo terá como convidado o líder indígena, ambientalista e escritor Ailton Krenak, uma das vozes mais importantes do País no que toca à discussão socioambiental.
Ele, que está em quarentena com 130 famílias da aldeia Krenak, localizada no médio Rio Doce (MG), conversará com o professor do Mestrado e Doutorado em Direito da Universidade de Fortaleza, Gustavo Raposo, mediador do encontro. A proposta é tecer reflexões sobre o modo como nossas formas de consumir têm impactado no globo e as consequências disso num instante desafiador feito este.

ATENÇÃO

Em entrevista à Universidade de Fortaleza, Ailton Krenak é direto: não acredita que haverá uma mudança significativa, muito menos radical, após a pandemia de Covid-19. “A única mudança radical possível é se desaparecesse a espécie humana do planeta”, explica.
Longe de uma lógica pessimista, o argumento levantado por ele é apenas fruto de atenta e profunda observação do modus operandi da população mundial.
“O único ser que habita o planeta Terra e que o depreda é exatamente esse tal de homem. Não tem outro ser que sai por aí transformando os rios em esgotos, enchendo o fundo dos oceanos de garrafas pets, jogando lixos para todo lado. Nós somos uma fábrica de lixo. Mesmo quando falam que estão reciclando, estão colocando aquele item no consumo novamente, nessa voracidade de consumir a Terra toda na forma de garrafa, alimento, roupa, carros”, enumera.
Autor de “Ideias para adiar o fim do mundo” e “O amanhã não está à venda” – este disponibilizado em e-book exatamente no começo da pandemia – Krenak situa ainda que, em sua visão, a Covid-19 é uma resposta do organismo vivo na Terra ao incômodo que é a presença humana aqui. Somos perturbadores do equilíbrio do planeta, único lar que temos.
“Essa ideia de natureza ficou tão abstraída para todo mundo que teve que vir uma pandemia para parar tudo e fazer as pessoas olharem ao seu redor para verem onde estão”, diz. “A inspiração que a o povo indígena poderia ter dado sempre esteve disponível durante muito tempo. Há centenas de anos, os índios estão sacrificando a própria existência para inspirar outros modos de vida”.
Presente na Bienal Internacional do Livro do Ceará no ano passado, em que participou de mesa e visitou a comunidade Jenipapo-Kanindé, no município de Aquiraz, Ailton Krenak permanece, portanto, em frequente luta e ocupando diferentes espaços (o maior número deles, se possível) para cultivar ideias que nos levem a ressignificar usos, vivências e olhares. Acender, minimamente, a fagulha do cuidado.
“Para mim, tudo é natureza. Nós, inclusive”.
Serviço
Projeto Lives do Conhecimento - Edição com Ailton Krenak
Nesta terça-feira (5), às 10h, nos perfis da Universidade de Fortaleza no facebook, instagram, youtube e TV Unifor (canal 181 da NET)


Diário do Nordeste

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