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O efeito da covid no livro digital

Nos 49 primeiros dias de isolamento, a Bookwire distribuiu 9,5 milhões de unidades de livros digitais. Isso é quase 80% de tudo o que foi distribuído em 2019.
Muitos apostaram no crescimento das vendas de livros digitais nesse momento de pandemia, em que as lojas físicas estão fechadas. E ele veio. Em entrevista exclusiva ao PublishNews, Marcelo Gioia, CEO da Bookwire no Brasil, declarou que entre os dias 9 de março e 26 de abril, a distribuidora entregou a clientes finais 9,5 milhões de unidades de livros digitais. “Para se poder fazer uma comparação, em 2019 – o melhor ano em performance da Bookwire, que apresentou crescimento de 57% em faturamento em relação a 2018 – distribuímos um pouco menos que 12 milhões de unidades de e-books no ano inteiro. Cerca de 25 a 30 mil unidades todo dia. E nessa crise, em 49 ou 50 dias, foram distribuídos esses 9,5 milhões, 190 mil unidades de e-books todo dia nesse período”, disse.
PublishNews - O Painel do Varejo de Livros feito pela Nielsen e pelo SNEL publicado na semana passada mostrou que a venda de livros físicos em livrarias caiu quase 50% desde o fechamento das lojas de tijolo e argamassa. Com a dificuldade de acessar as livrarias, o leitor brasileiro buscou os livros digitais?
Marcelo Gioia - Sim, o leitor brasileiro reagiu de forma bastante imediata e passou a consumir muito mais livro digital. A Bookwire representa uma importante fatia do mercado. Atualmente servimos cerca de 550 editoras na distribuição de e-books e audiobooks. Isto para dizer que enxergamos um corte significativo do mercado digital, uma fotografia bastante completa da situação de todo o mercado. Desde que começamos a vivenciar mais de perto essa crise da covid-19, passamos a monitorar as curvas de unidades distribuídas (gratuitas e pagas) e receita semanalmente e o crescimento de ambas foi e está sendo muito vigoroso.
PN - Você consegue quantificar esse aumento?
MG - Do início do isolamento na maioria das cidades até final de abril – de 09 de março a 26 de abril para ser mais preciso – a Bookwire distribuiu 9,5 milhões de unidades de e-books, entre gratuitos e pagos. Para se poder fazer uma comparação, em 2019 – o melhor ano em performance da Bookwire, que apresentou crescimento de 57% em faturamento em relação a 2018 – distribuímos um pouco menos que 12 milhões de unidades de e-books no ano inteiro. Cerca de 25 a 30 mil unidades todo dia. E nessa crise, em 49 ou 50 dias, foram distribuídos esses 9,5 milhões, 190 mil unidades de e-books todo dia nesse período.
PN - A que você credita esse aumento?
MG - Algumas razões: a primeira, a mais óbvia, uma limitação de acesso ao livro físico. Mesmo com iniciativas belíssimas de livreiros independentes com atendimento proativo e entregas criativas e um agudo crescimento no e-commerce, o digital foi o porto mais seguro e mais imediato de leitores que queriam se precaver e se abastecer para o período da quarentena. A segunda razão foi uma reação ágil, qualidade inerente ao digital, e super engenhosa de muitas editoras que já nos primeiros dias criaram ações promocionais, muitas com entrega de livros a custo zero e outras com descontos muito agressivos com o claro objetivo de servir aos leitores que passariam a viver confinados e precisavam de cultura e conteúdo para ser consumido. A terceira é o crescimento consolidado e consistente do formato digital com espaço ainda para crescer por aqui.
PN - O leitor de livros digitais brasileiros busca algum gênero específico?
MG - Um busca por conteúdo religioso, filosofia, desenvolvimento pessoal, um retorno interessante à literatura clássica e em um segundo momento ficção.
PN - O ano passado foi muito importante para os audiolivros no Brasil, uma vez que aportaram aqui mais duas plataformas internacionais (Storytel e Kobo) e uma nacional nasceu para brigar por esse consumidor. Você consegue fazer um panorama de como esse formato tem se comportado desde então, apontando não só o crescimento nas vendas, mas também na disponibilidade de catálogo?
MG - Ótima pergunta. O audiobook está em franco crescimento e também obteve crescimento durante as semanas da crise, mas exatamente por não ter, ainda, um catálogo de tamanho comparativo aos de e-books e de livros impressos, apresentou curvas mais modestas, mas já apresenta um crescimento de 160% em vendas no modelo à la carte, ao menos na nossa experiência.
PN - O leitor-ouvinte brasileiro procura por um gênero específico quando quer ouvir um audiolivro?
MG - Negócios, desenvolvimento pessoal, religiosos … não nessa ordem.
PN - E quando ele vai buscar um audiolivro, qual o modelo é o preferido? O modelo de subscrição ou o a la carte?
MG - À la carte na maior parte dos casos, assinatura na sequência. Mas o que apresenta maior crescimento são os audiolivros distribuídos nas plataformas de streaming como Spotify, Deeezer e outras.
PN - Você acredita que esse aumento nas vendas se sustentará ao longo do tempo, passada a pandemia? Em outras palavras, é um crescimento circunstancial ou ele veio para se manter, mesmo depois de suspensas as medidas de isolamento social?
MG - Essa é a grande questão. Não sei o que o futuro trará, mas os sinais são alvissareiros. Nas semanas seguintes do pico do isolamento, entre o final de abril e os primeiros dias de maio, as promoções encolheram. Há menos desconto agressivos e menor quantidade de e-books e audiobooks a custo zero. Isso diminuiu bastante o número de unidade distribuídas diariamente para cerca de 140 mil unidades vendidas todos os dias, mas as métricas de unidades pagas e receita parecem estar encontrando um novo platô de curva. Hoje claramente existem mais leitores digitais do que tínhamos em fevereiro, por exemplo, e os leitores que já eram digitais ou multiformato passaram a consumir mais digital. Temos visto uma consolidação de um pouco mais de quatro vezes em termos de unidades distribuídas e 2,7 vezes o faturamento das últimas quatro semanas (semanas 16 a 19), ou seja um aumento em receita de 174% quando comparamos as mesmas semanas de 2019. Pessoalmente creio que mudaremos sim de platô, talvez em números um pouco mais acomodados quando a referência são números tão surreais quanto vimos acontecer no pico do isolamento, mas tudo dependerá do impacto macroeconômico da crise que se avizinha e do poder e criatividade do mundo editorial de continuar servindo e produzindo conteúdo a seus leitores.
Via PUBLISHNEWS

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