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Vítima de Covid-19, escritor e compositor Aldir Blanc morre aos 73 anos

Artista deixa uma das obras poéticas mais robustas à música brasileira, sobretudo com suas composições a partir da parceria com João Bosco, nos anos 1960
Sem recursos para manter o pai internado, filha chegou a pedir doações para fazer a transferência e o tratamento do artista
Sem recursos para manter o pai internado, filha chegou a pedir doações para fazer a transferência e o tratamento do artista (Alaor Filho / AE - 29/09/2006)

O escritor e compositor Aldir Blanc morreus aos 73 anos na madrugada desta segunda, 4, no Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Zona Norte do Rio. Ele estava com Covid-19 e seu quadro de saúde era considerado grave.
O artista estava internado desde a semana passada em um hospital municipal na zona sul do Rio, com infecção urinária e pneumonia. Na ocasião, uma das filhas, Isabel, pediu doações para possibilitar a transferência e tratamento do artista.

Hélio Delmiro estava fazendo uma live de sua casa, sozinho, na noite de terça, quando um de seus internautas avisou sobre o compositor Aldir Blanc. “Ele está internado”. Visivelmente transtornado com a notícia, o guitarrista Hélio tentou disfarçar, procurou a partitura de uma música de Aldir para tocar, não encontrou, e passou a perguntar “o que houve com Aldir, meu Deus.”

Aos 73 anos, Aldir Blanc estava mesmo internado em um hospital na zona sul do Rio de Janeiro com suspeita de covid-19 desde sexta-feira, 10. Havia sintomas de infecção urinária e de pneumonia. Sua filha Isabel, sem recursos para manter o pai internado, chegou a pedir doações para fazer a transferência e o tratamento do artista em uma página de Facebook.

Aldir Blanc deixa uma das obras poéticas mais robustas à música brasileira, sobretudo com suas composições a partir da parceria com João Bosco, nos anos 1960, para servirem Elis Regina de material fresco. Vieram Bala com Bala, O Mestre-Sala dos Mares, Caça à Raposa e O Bêbado e a Equilibrista, de 1979, assumida pelo País como uma espécie de hino contra a ditadura militar para celebrar a volta dos exilados políticos ao Brasil com a garantia de que não seriam presos pelos militares. Ela se tornaria sua obra mais conhecida, com versos que ficariam maiores que seu próprio nome, como “A lua, tal qual a dona de um bordel / Pedia a cada estrela fria um brilho de aluguel.” Era uma pequena mostra de como pensava Aldir, juntando gente mundana com a lua das realezas, dando vida à estrela e criando expressões como “um brilho de aluguel.”

O Estado de S. Paulo

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