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O Sol que não se põe

Padre Geovane Saraiva*
Somos abastecidos pelos estigmas da confiança e da esperança de um Deus que quer, através de nós, suas criaturas, dizer algo ao mundo, como nas palavras de Dom Helder: “Que sementes desejo espalhar pela Terra? Sementes de paz, de amor, de compreensão e de esperança”. Que, no mistério do pão descido do céu – verdadeiro alimento que preenche nossos anseios e nos sacia neste mundo –, possamos compreender que há, no nosso mundo, marcas nefastas e sombrias da pandemia, com tanto desespero, além de desengano, decepção, frustração e desesperança, que de nossa parte urge uma única palavra de ordem: plantarmos uma boa semente – a semente da esperança –, persuadidos de que seja soberana a vontade de Deus.

Deus, no brilho de sua luz eterna, não abandona aqueles que nele confiam; ao contrário: Ele oferece a garantia de que cada pessoa carrega consigo, numa dádiva a nós e ao mundo, o segredo de sua vida como mistério, revelando-nos as razões de nossa existência. Ele, manso e humilde de coração, quer se fazer morada em nós com seu Espírito, ao mesmo tempo em que possamos acolher a paz, a qual Ele quer nos dar, compreendida no mistério da vida. Volto-me novamente a Dom Helder, nesta assertiva: “Ah se eu pudesse, afugentaria da terra a desconfiança que embaça os olhares mais claros e torna turvos os horizontes mais límpidos!”.

Para as pessoas de fé, a Covid-19 quer consistir, numa metáfora, em viver na turbulência das ondas, na instabilidade do barco da vida, em águas turvas, muitas vezes à beira do naufrágio. Ao mesmo tempo, é dom e graça de Deus, obra e milagre de sua ação salvífica, relacionando-se à pérola preciosa deste trecho do Evangelho: Mt 11, 25-30, no qual vemos a amizade recíproca, do Pai que conhece o Filho e do Filho que conhece o Pai. Consente-nos assim, a arremessar ou projetar um olhar muito especial sobre a misteriosa pessoa de Jesus de Nazaré. Em suas estreitas e íntimas conexões com o Pai, Jesus nos impacta ou mesmo nos comove com sua revelação, quão profundamente elevada e sublime, reservada aos simples, aos humildes e aos desprezados pelos gênios e letrados do mundo; estes são, inquestionavelmente, preteridos e riscados do projeto divino.

Dai-nos sempre mais esperança, ó Sol da justiça e da paz! Dai-nos a graça de reconhecer as evidências de sua presença, nos acontecimentos do dia a dia neste tempo de pandemia! Que estas palavras do Pe. Eduardo Moesch sejam um convite à esperança de dias melhores: “Há uma grande diferença entre o Sol e a fé: o Sol se põe, às vezes com extrema beleza, enquanto a fé jamais se põe. Mesmo quando é noite, a fé recebe o brilho d’Aquele que é infinitamente maior do que o Sol. Portanto, nesta pandemia-quarentena, lembremo-nos de quem recebemos nosso brilho e de todo poder do Seu amor”. Assim seja!

*Pároco de Santo Afonso, Blogueiro, Escritor e integra a Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza (AMLEF).

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