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Poetas cearenses produzem vídeo "Cordel contra a Covid-19"; assista

Um poema coletivo, em formato de vídeo, pensado para além do caráter informativo. Com esse intuito, poetas cearenses lançaram o "Cordel contra a Covid 19".
Segundo o coordenador da obra, o cordelista, xilógrafo e compositor Eduardo Macedo, 42 anos, os versos apresentados pelo grupo formado por 14 poetas do Ceará apontam os cuidados a serem tomados pela população, visando a não contaminação e transmissão do coronavírus. Ressaltam, ainda, as dificuldades resultantes do distanciamento da sociedade.
O "Cordel contra à Covid-19" ganhou corpo e forma a partir da sugestão do professor e pesquisador Gilmar de Carvalho apresentada ao poeta Eduardo Macedo. "Nos últimos dias do mês de março de 2020, recebi um e-mail do querido amigo, Gilmar de Carvalho, sugerindo que nós – cordelistas – fizéssemos um poema coletivo sobre a situação de pandemia e isolamento social".
Eduardo abraçou de imediato a ideia. Seu primeiro contato com o intuito de desenvolver o pensamento do professor Gilmar de Carvalho foi com o amigo e mestre Klévisson Viana.
"Enviei a ele uma mensagem pelo Whatsapp solicitando que desse continuidade à primeira estrofe que redigi, incluindo uma de sua autoria, e gravando em seguida um vídeo declamando seus versos. Dessa forma, fui contatando outros poetas, os quais me passavam os contatos de terceiros e, assim, conseguimos reunir um total de 14 autores, cujas estrofes e vídeos foram remetidas a mim também pelo smartphone", declara o coordenador.
A obra "Cordel contra à Covid-19" conta com a participação dos poetas: Eduardo Macedo, Klévisson Viana, Rouxinol do Rinaré, Julie Oliveira, Paola Tôrres, Evaristo Geraldo, Vânia Freitas, Gerardo Pardal, Fernando Paixão, Paulo de Tarso, Pedro Paulo Paulino, Arievaldo Vianna, Paiva Neves e Luís Távora.
"Deste grupo, o único que não declamou os próprios versos foi o saudoso Arievaldo Viana (falecido em 30 de maio de 2020), que na ocasião pediu à esposa, Juliana Araújo, para gravar seu vídeo, muito embora ele tenha enviado sua contribuição com a rapidez típica dos autênticos glosadores da poesia popular", lembra Eduardo.
Devido ao formato de apresentação em vídeo, Eduardo Macedo lamenta a impossíbilidade de contemplar todos os poetas conhecidos. Ele também ressalta que não houve critério de escolha dos participantes.
"Aqueles que foram indicados pelos primeiros com os quais fiz contato, cujos números de telefone já tinha, foram sendo incluídos na lista. Como a experiência foi muito boa, pretendo repetir em outro momento a mesma atividade. Também fica a dica para que outros o façam", aconselha.
Legenda: Xilogravura de cangaceiro: personagem nordestino é um dos que integram a poética de muitos cordéis
Foto: Ilustração de Klévisson Viana

Participantes

Para o cordelista, xilogravador, ilustrador e compositor Klevisson Viana, 47 anos, 22 deles trabalhando com a literatura de cordel, participar de um trabalho desses, o qual aborda a questão da covid-19 é deixar um registro para a posteridade.
Apesar de 90% dos trabalhos serem relacionados à ficção, textos imaginários, criados a partir de suas ideias e concepções, Klévisson revela que o cordel faz parte de sua vida desde a infância, vivida na zona rural de Quixeramobim, município cearense localizado há 214 km de Fortaleza.
"Falar desse tempo me faz lembrar quando meu pai, chegava do roçado, sentava em uma cadeira espriguiçadeira para ler literatura de cordel e declamar versos. "Portanto, foi muito bom participar desse coletivo coordenado por Eduardo Macedo. Ele é um grande poeta e expoente da literatura de cordel no Ceará", revela.

Médica e cordelista

Outra amante da arte e participante do coletivo é a médica onco-hematologista Paola Tôrres, professora do curso de medicina da Universidade de Fortaleza.
"O convite do Eduardo nos possibilitou utilizarmos a cultura popular, a linguagem íntima do povo para expressarmos nossas opiniões e sentimentos sobre o momento em que estávamos vivendo logo no início da pandemia. Sempre utilizei o cordel com esse apelo de usar uma linguagem nossa, nordestina para mim comunicar com o povo", afirma Paola.
Legenda: A mala do folheteiro é outra particularidade dos cordelistas, conforme exibe esta xilogravura
Foto: Ilustração de Klévisson Viana
O cordel faz parte da vida desde a infância da médica, que utiliza a literatura popular tanto na sala de aula na Faculdade de Medicina, quanto na comunicação com seus pacientes, oficialmente, desde 2012 oficialmente.
"Recentemente, fui convidada para falar sobre o linfoma em cordel. Então, é isso. Pelo menos no meu trabalho como médica, tenho utilizado o cordel para falar sobre o linfoma de maneira mais humanizada, tornando as linguagens mais acesssíveis, mais palatáveis para o público", ressalta a doutora.
O vídeo e o texto do poema, intitulado de “Cordel contra a COVID-19”, foram carregados na plataforma do YouTube, no canal Eduardo de Menezes Macedo, na página do Facebook, distribuídos pelas ferramentas de redes sociais e aplicativos de mensagens. 
Diário do Nordeste

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